Diferentemente do setor ferroviário, a indústria rodoviária teve um ano difícil devido à perda de confiança do comprador e à queda nos investimentos, segundo o Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários (Simefre), que faz, nesta segunda-feira, 8, um balanço dos setores industriais filiados, em evento na capital paulista. “O setor de ônibus mostra forte recuperação nos últimos meses, mas não o suficiente para alcançar os índices de 2013”, disse o presidente do Simefre, José Antônio Fernandes Martins. “Queremos riscar este ano do mapa e esquecer”, acrescentou.

Até outubro de 2014, a produção de ônibus apresentou queda anual de 18,9%. Segundo Martins, as manifestações pela redução das tarifas e o grande número de ônibus queimados ou depredados afetaram a confiança dos compradores. Outro complicador foi a indefinição no sistema de autorização das linhas interestaduais. O governo federal já concordou em manter o sistema de autorização, que agora depende dos trâmites legais da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). O Simefre pede que a regulamentação ocorra até 31 de dezembro.

A expectativa do Simefre é de que o setor rodoviário compre uma média de 2500 ônibus por ano pelos próximos quatro anos, melhorando assim a idade média da frota, que está atualmente acima de nove anos. As exportações, porém, devem apresentar recuperação mais lenta.

De acordo com Martins, muitas empresas abandonaram o setor e agora estão em processo de retomada. “Esse processo leva de um a dois anos e a alta do dólar foi em função da recuperação dos Estados Unidos. Essa valorização se deu no mundo inteiro, então não houve vantagens em volume de exportações. Esperamos uma melhora”, afirmou.

Para Martins, 2015 deve ser um ano melhor, embora o primeiro semestre possa trazer ajustes. Já nos últimos seis meses do próximo ano, a confiança dos empresários deve melhorar, assim como o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). “Somente assim vamos conseguir atingir as metas de superávit primário, ter um câmbio adequado e manter a inflação na meta, objetivando recuperar o PIB que, em 2014, ficará quase que insignificante”, disse o executivo. Ele afirmou que o setor trabalha com o governo federal para trocar 100 mil ônibus escolares do setor público no prazo de oito anos, com financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).