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Foto: Arquivo

Montadoras já estão trazendo aço da Coréia do Sul.

São Paulo – Depois de um ano de trégua, a guerra do aço foi retomada entre as siderúrgicas, que querem reajustar os preços, e fabricantes de automóveis, geladeiras, fogões e bicicletas, que ameaçam importar o produto. A Fiat deu a largada e já encomendou chapas, barras e componentes da Coréia do Sul. Mesmo com frete, a matéria-prima chegará ao País 15% mais barata que a nacional vendida pela vizinha da montadora em Minas Gerais, a Usiminas.

As usinas alegam aumento de custos e de demanda e pedem reajustes de 6% a 15%, algumas com prazo para maio e outras para junho e julho. ?Não há justificativas para aumentos agora?, protesta o vice-presidente administrativo e financeiro da BSH Continental, Edson Grottoli. ?A inflação está controlada, os aumentos salariais seguem os índices inflacionários e o real está valorizado.?

Segundo Grottoli, o aço representa de 20% a 25% do custo de produção de produtos da linha branca, como fogões, geladeiras e máquinas de lavar. As usinas pedem de 6% a 7% de reajuste para maio, mas já acenam com novos aumentos para junho e julho. ?Estamos pesquisando preços internacionais e a alternativa será importar alguns itens, talvez da Coréia ou da Europa, onde há disponibilidade do produto.?

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A Fiat vai trazer o equivalente a 10% do seu consumo e o primeiro lote chega em 30 dias, informou o presidente da montadora, Cledorvino Belini, que reluta em aceitar os 7% de reajuste impostos pelas siderúrgicas brasileiras. ?É a primeira vez que vamos importar aço de forma estruturada e o contrato é por um ano?, informou. O aço representa cerca de 33% do custo de um automóvel.

A Volkswagen informou que não descarta a importação, caso a pressão das usinas por reajustes se intensifique. ?Voltamos ao cenário de 2005?, afirmou um porta-voz da empresa. Naquele ano, a montadora importou 30 mil toneladas de aço da Europa por discordar de reajustes praticados pelos fornecedores locais. Ford e Fiat também importaram na ocasião, em volumes menores.

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No início de 2005, por pressão de vários setores industriais, o governo zerou a alíquota de importação de 15 tipos de aço. No ano seguinte, usinas e clientes viveram clima de paz, só com aumentos considerados razoáveis. Neste ano, a guerra de preços foi retomada. A suspensão do imposto ainda está em vigor, mas a Fiat vai importar inclusive itens fora da lista de isenção, como chapas de aço com tratamento de zinco, cuja alíquota é de 14,5%.