Após o setor de rodovias, agora é o elétrico que defende a revisão das taxas de retorno fixadas pelo governo para os projetos, de modo a remunerar os riscos incorridos pelos investidores. “Esse movimento feito no caso da rodovia é importante ser compartilhado em toda a infraestrutura”, argumentou nesta sexta-feira o diretor-presidente da CPFL Energia, Wilson Ferreira Junior, em teleconferência para investidores e analistas.

O comentário de Ferreira Junior aconteceu pouco depois da conclusão do primeiro leilão de transmissão de 2013. Dos dez lotes ofertados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), quatro não receberam nenhuma oferta dos participantes. “O Brasil perde quando 40% dos lotes de transmissão não foram ofertados. Aumentamos o risco do sistema de forma global, e não precisamos disso”, afirmou ele, que preside o maior grupo privado do setor elétrico com ativos nas áreas de geração e distribuição.

Ferreira Junior reconheceu que a redução das taxas de retorno perseguida pelo governo faz sentido num contexto de queda do risco-País, fruto da melhora no ambiente de negócios. O erro, porém, é a visão de que não existem riscos às obras de infraestrutura no País. “O risco precisa ser remunerado, e isso abre o caminho para a atração de investidores”, argumentou. O modelo ideal, argumenta, seria aquele em que se define os preços dos projetos adequadamente e, partir de um processo de disputa, obtenha-se os menores custos.

No leilão desta sexta-feira, as empresas espanholas foram as grandes vencedoras, arrematando cinco dos seis lotes que tiveram propostas. Após o leilão, o diretor da Aneel Julião Coelho afirmou que o resultado da licitação não deve levar o regulador a rever para cima as taxas de retorno dos projetos. O leilão teve um deságio médio de 11,96% – a Receita Anual Permitida (RAP) total dos ativos licitados foi de R$ 398,14 milhões. As empresas do Grupo Eletrobras não levaram nenhum lote desta vez. (Colaborou Luciana Collet)