O setor automotivo nacional está projetando uma produção para 2004 que deverá variar entre 1,9 milhão a 2,1 milhões de unidades. Desse total, 1,4 milhão ficará no mercado interno e as exportações não deverão ultrapassar US$ 5,5 milhões. Esses números apontam um pequeno crescimento se comprado com 2003, que deverá fechar com uma produção de 1,8 milhão de unidades, cerca de 8% menor que o ano passado.

Essa projeções foram discutidas ontem, durante o VII Seminário do Programa Paraná Automotivo, promovido pelo Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico do Estado do Paraná (Sindimetal). O crescimento do setor está atrelado a algumas mudanças no cenário nacional para 2004, como a redução da taxa de juros, principalmente na área automotiva – que deverá ser de até 2,5% do mês -, volta da empregabilidade e confiança do consumidor no mercado.

No Paraná as perspectivas para o próximo ano seguem as projeções nacionais, diz o presidente do Sindimetal, Roberto Sotomaior Karan. Aliado a renovação da frota, inspeção veicular e recuperação da economia, a paranização de compras deverá ser um ponto importante nessa recuperação. Para isso, acrescenta Karan, será oficializado na próxima semana o Conselho de Política Automotiva, que envolve o governo do Estado e representantes de todo o segmento automotivo. “A proposta é envolver o governo, as montadoras e sistemistas em parcerias que visam recursos para fomento, tecnologia e qualificação geral das empresas”, disse Karan.

Essas mudanças se tornam necessárias no atual momento, avalia o presidente do Sindimetal, já que o cenário da produção local vem modificando nos últimos anos. Em 1998, 72,3% da produção automotiva estava concentrada na região do ABC Paulista, e 27,27% nos demais estados. Nesse ano, a produção paulista concentrou 54,6% da produção local e 45,4% foram distribuídos em outros estados, como Paraná, Minas Gerais, Bahia e Rio de Janeiro. “E para continuarmos competitivos precisamos manter a qualidade e conseguir ganhar em preços.”

Conselho

O coordenador do programa Paraná Automotivo, Élcio Rimi, considera que, no processo de volta do crescimento da economia, o governo do Estado deve participar mais efetivamente. O representante do governo e assessor especial do governador, Daniel Godoy Júnior, lembrou que, por isso, o governo estadual está lançando o Conselho da Política Automotiva. “Um dos objetivos é ampliar a participação de empresas paranaenses no pólo.”

Ainda segundo Godoy, o conselho conta com representantes do setor metalmecânico, entidades de classe e secretariais estaduais e vai promover a geração de emprego e renda, transferência de tecnologia para as empresas paranaenses e o retorno do investimento feito pelo Paraná atração das montadoras.

De acordo com ele, o governo estadual investiu em torno de R$ 4 bilhões, seja pelo diferimento de ICMS ou de concessão de apoio logístico, para a atração de indústrias automotivas. “Este dinheiro deve retornar mais rapidamente aos paranaenses por meio do pagamento de impostos ou por iniciativas de cunho social”, afirmou.

Governo do Estado estuda proposta

O governador Roberto Requião e o presidente da Conselho da Política Automotiva, assessor especial de Governo Daniel Godoy, receberam ontem uma proposta do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores para facilitar a aquisição de carro zero quilômetro pelas famílias com renda de até 10 salários mínimos.

Através do plano, as famílias teriam uma poupança junto ao governo do Estado e as montadoras locais uma previsão de produção e o compromisso de desenvolver um veículo com custo ainda menor do que dos atuais carros “populares”. “É uma proposta interessante que terá, dentro de quinze dias, um parecer dos técnicos da Secretaria da Fazenda”, adiantou Requião.

O veículo com preço menor foi chamado pelos representantes do sindicato de “carro próprio”, em alusão ao plano para aquisição de moradias. Para o presidente da comissão do governo, a proposta também deve fazer parte da estratégia para aumento da participação de empresas locais no fornecimento de peças e componentes para o parque automobilístico. “Será mais uma parte de um projeto maior, que alcança agora novos consumidores”, afirma.

Segundo o secretário geral do Sindipeças, William Mufarej, o plano permite incluir uma faixa de consumidores que ainda está fora do mercado, além de garantir novos empregos nas fábricas e previsão de produção para as montadoras. “É uma alternativa mais barata que o consórcio e traz vantagens para todas as partes envolvidas” explica Mufarej. Um dos exemplos que constam na proposta prevê a aquisição de carro com valor de até R$ 16 mil pago em prestações de R$ 179 ao mês.

Metalúrgicos fecham acordo salarial

Cerca de 25 mil trabalhadores metalúrgicos de Curitiba e Região Metropolitana garantiram reajuste de 15% na campanha salarial 2003. Depois de algumas paralisações na semana passada, os trabalhadores aprovaram a proposta do Sindimetal (Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico) em assembléia geral extraordinária realizada na segunda-feira à noite. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, a proposta foi aceita porque contempla aumento real.

O acordo com o Sindimetal prevê 11% de reajuste salarial em janeiro e mais 3,6% em março, além de um abono de 20% do salário pago em 20 de dezembro. Outra proposta levada à votação na assembléia, do Sindimaq, o sindicato patronal dos fabricantes de máquinas, foi rejeitada por não apresentar aumento salarial real. As empresas representadas pelo Sindimaq empregam 6 mil trabalhadores. O Sindicato dos Metalúrgicos deu prazo de 48 horas, que vence hoje às 19h, para uma contraproposta. Caso contrário, insistirá nas negociações individuais com as empresas. Não está descartada a possibilidade de novas greves.

A única empresa que ainda continua em greve – há uma semana – é a Trox do Brasil, fabricante de bens de capital para a indústria do fumo, que tem 250 empregados na Cidade Industrial de Curitiba. Apesar de a Trox estar incluída na negociação do Sindimetal, os trabalhadores querem ampliar o acordo através de negociação direta. Hoje será julgado pelo Tribunal Regional do Trabalho o pedido de dissídio coletivo de greve na Trox.

Acordos

Na Mollins, um acordo assinado na segunda-feira encerrou a greve que já durava três dias. Ficou garantido o reajuste do INPC integral em janeiro mais 2% de aumento real, abono no valor de 20% do salário pago em dezembro e mais dois abonos correspondentes a 13% do salário nominal, que serão pagos em abril e setembro. A Mollins concedeu reajuste salarial de 2% sobre os salários vigentes. Com isso, o piso salarial na produção passou para R$ 600. A empresa assegurou ainda o pagamento de custos de remédios e tratamentos médicos em caso de acidentes de trabalho e doenças ocupacionais. Os dias parados serão compensados em dois sábados.

Outra empresa que fechou acordo foi a fabricante de máquinas agrícolas Case New Holland (CNH), que garantiu a incorporação do INPC integral nos salários em dezembro, dois abonos – de R$ 900 e outro de 26% do valor do salário em dezembro, e piso mínimo de R$ 825. O mesmo acordo vale para a Comau. A Moosmayer também fechou acordo anteontem, pagando abono de 20% do salário em dezembro, reajuste escalonado de 14% incorporado em janeiro, 1% em fevereiro e 2% em julho, piso mínimo de R$ 650 para produção e garantia do pagamento da multa de 40% sobre FGTS em caso de demissão de aposentados. (Olavo Pesch)