O transporte terrestre de cargas puxou para baixo a receita dos serviços de transportes em fevereiro, segundo Roberto Saldanha, gerente da Coordenação de Serviços e Comércio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo ele, a menor demanda da indústria e do setor agropecuário contribuiu para a desaceleração no setor.

Hoje, o IBGE informou que a receita nominal dos transportes recuou 1,9% em fevereiro ante igual mês no ano passado. No caso do transporte terrestre, a retração foi de 2,5% no período. Saldanha diz que os estímulos concedidos pelo governo nos últimos anos para a compra de caminhões levou a um aumento significativo na frota e no número de transportadoras autônomas. Com isso, há atualmente uma “superoferta de frete”, que afeta negativamente os preços. O menor crescimento da atividade econômica também afeta o setor.

“Estamos observado problemas conjugados. Além disso, enfrentamos o desaquecimento da economia e o problema de entressafra no setor agropecuário. As empresas industriais estão controlando seus custos”, explicou Saldanha. “É diferente do ano passado, quando já existia maior oferta de frete, mas foi um período de safra abundante de grãos. Então, teve demanda para frete, o mercado estava aquecido.”

A retração do agronegócio foi mais intensa nas regiões de Paraná, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Goiás, segundo o IBGE. Todos esses estados tiveram queda na receita nominal de serviços em fevereiro ante fevereiro de 2014, com destaque para o Mato Grosso (-17,1%). Neste contexto, o gerente explicou que a greve de caminhoneiros não afetou a receita dos transportes. “Não afetou porque (os caminhoneiros) pararam justamente porque não tem frete. A greve foi consequência de todo esse problema, não a causa”, afirmou.

Transporte aéreo

A receita nominal do transporte aéreo teve queda de 4,5% em fevereiro ante igual mês do ano passado. Houve menor demanda do setor corporativo, que inclui governos e empresas, disse Saldanha. Diante da retração, o IBGE consultou a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e a Associação Brasileira de Empresas Aéreas (Abear) para saber os motivos. “O segmento de turismo cresceu, mas o segmento corporativo teve uma retração. Os governos, com todo esse momento de restrição orçamentária, cortaram gastos, e as empresas também estão reduzindo essas despesas”, contou Saldanha, lembrando que esses setores são responsáveis pela demanda de 60% dos assentos.

O gerente do IBGE lembrou ainda que algumas empresas reduziram o número de voos em fevereiro, o que afetou negativamente a receita do setor. O transporte aéreo teve contribuição de -0,1 ponto porcentual na composição da taxa de crescimento da receita nominal de serviços, que foi de +0,8% em fevereiro ante igual mês do ano passado – o pior resultado da série, iniciada em janeiro de 2012.