O Senado aprovou nesta quarta-feira, 11, a Medida Provisória que instituiu o Programa de Redução de Litígios Tributários (Prorelit) e restabeleceu a obrigação de os contribuintes apresentarem ações de planejamento tributário à Receita Federal, artifícios encontrados na legislação para pagar menos impostos. O Prorelit permite que empresas quitem débitos tributários vencidos até 30 de junho de 2015 utilizando créditos de prejuízos fiscais.

continua após a publicidade

Os senadores discordaram das mudanças que haviam sido feitas na tramitação da medida pela Câmara dos Deputados e aprovaram o texto do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), que foi relator a MP na comissão mista e tinha o aval do governo e da Receita Federal. Com as alterações, a proposta terá de voltar para a Câmara, que terá até a quarta-feira para apreciá-la sob pena de perder a validade.

A obrigação de apresentar as ações de planejamento tributário à Receita Federal constava no texto original enviado pelo governo, mas, na semana passada, foi retirada pela Câmara, o que havia representado uma derrota para o Executivo, particularmente para o ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Na votação da MP, o plenário da Câmara aprovara um destaque apresentado pelo PPS que retirou do texto original artigos que determinavam a apresentação das ações de planejamento tributário. Essa parte foi suprimida pelos senadores. “É uma tendência mundial, recomendação da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico)”, disse Tasso Jereissati, após a votação.

Na segunda-feira, o secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, disse ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, que o governo ainda avaliava se negociava a reinclusão do planejamento tributário no Senado. O temor do órgão é que a medida provisória perca a validade e, com isso, haja problemas para o Prorelit. O programa já está em vigor e as empresas poderão aderir ao parcelamento até o fim deste mês.

continua após a publicidade

Rachid defendeu a apresentação à Receita do planejamento tributário e disse que essa prática é adotada em vários países. Atualmente, as ações só são analisadas pelo fisco posteriormente, o pode implicar multa de até 150% caso o órgão entenda que houve planejamento tributário abusivo. Com a nova regra, se o fisco entender que houve irregularidade determinará o pagamento do tributo devido, sem multa. “É uma medida positiva, que dá mais transparência a esse processo”, afirmou.

Prorelit

continua após a publicidade

O Senado manteve o pagamento mínimo de 30% de recursos em dinheiro para aderir ao Prorelit. Inicialmente, o governo queria que fossem pagos 43% à vista. Com a baixa adesão ao programa, porém, o governo reduziu esse montante para 30% e permitiu o pagamento parcelado da entrada, percentuais que já haviam sido mantidos na votação na Câmara.