Economia

Seis em cada dez empresas brasileiras fecham em até cinco anos

Ilustração sobre economia e finanças com a logo da Tribuna do Paraná no canto superior esquerdo. A imagem mostra moedas empilhadas, uma calculadora, cédulas de real, gráficos financeiros, indicadores de crescimento e um caderno com relatórios. Ao fundo, aparece um prédio institucional desfocado com a bandeira do Brasil, simbolizando decisões econômicas, mercado financeiro, impostos, programas governamentais e economia popular. Design clean, moderno e voltado para conteúdos de notícias econômicas.
Decisões econômicas, inflação e mercado: entenda como os rumos da economia afetam o seu dia a dia. Foto: Imagem criada com IA.

Seis em cada dez empresas brasileiras fecham as portas nos cinco primeiros anos de operação, segundo dados recentes do IBGE. A alta mortalidade empresarial acontece mesmo com o Brasil tendo um dos maiores mercados consumidores do mundo e forte vocação empreendedora. Burocracia, carga tributária elevada, insegurança jurídica e alto custo do crédito são os principais obstáculos. As informações são da Gazeta do Povo.

O empresário brasileiro precisa dedicar tempo e recursos significativos para lidar com exigências regulatórias e mudanças legislativas constantes, explica Vanderlei Garcia Jr., especialista em Direito Civil e Negociação. Entre 1988 e 2024, o país editou mais de 7,8 milhões de normas, sendo 517 mil na esfera tributária. Isso equivale a mais de duas novas regras fiscais por hora útil ao longo de quatro décadas, segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação.

Enquanto empresas em países da OCDE gastam cerca de 200 horas por ano para cumprir obrigações fiscais, no Brasil esse número ultrapassa 1.500 horas, segundo estudo do Banco Mundial divulgado em 2021. A complexidade tributária leva muitas empresas a recolher impostos em excesso. Como o custo de errar para menos é muito superior ao de pagar a mais, mantém-se um silêncio arrecadatório em que quem perde é o empreendedor, afirma Luís Garcia, administrador de empresas pela FGV e sócio do Tax Group.

Insegurança jurídica pressiona empreendedores brasileiros

Além dos custos financeiros, o ambiente de negócios brasileiro impõe carga emocional aos empreendedores. A falta de previsibilidade, com alterações frequentes de regras e mudanças de interpretação por órgãos fiscalizadores, é um dos principais entraves. A incerteza afeta desde pequenos empreendedores até grandes companhias, diz Garcia Jr.

Mesmo com as dificuldades, o empreendedorismo segue em alta. O sonho de ter negócio próprio ocupa a segunda colocação no ranking de desejos dos brasileiros, com 39,7%, segundo relatório do Global Entrepreneurship Monitor (GEM) 2025. O percentual era de 34,3% em 2024. Além disso, 64,7% dos participantes percebem boas oportunidades para empreender e 51,3% afirmaram que o medo de fracassar não os impediria de iniciar um empreendimento.

Pequenos negócios representam 95% das empresas do país

A abertura de pequenos negócios atingiu marca histórica de 5,1 milhões de empresas em 2025. Desse total, 4,9 milhões são pequenos negócios, dos quais cerca de 74% são microempreendedores individuais (MEIs). As pequenas empresas representam 95% de todos os negócios brasileiros e respondem por 26,5% do PIB, segundo levantamento do Sebrae. Elas ainda são responsáveis por 50% dos empregos formais gerados no Brasil.

Os empreendedores que evitam o fechamento precoce diferenciam-se pela proatividade e pelo planejamento adequado, afirma Rodrigo Soares, presidente do Sebrae. São aqueles que realizam pesquisas de mercado, fazem mapeamento da concorrência e calculam com precisão o capital de giro necessário. A sobrevivência de longo prazo está ligada à capacidade de monitorar custos diariamente, implementar digitalização de processos e ajustar o portfólio de produtos de acordo com mudanças de hábito do consumidor.

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