A seguradora americana Liberty vai iniciar um trabalho para adotar o modelo da sua divisão de riscos especiais no Brasil, batizada de LIU, em outros países da América Latina a partir do ano que vem. O foco serão países como Colômbia, Chile e Equador, mercados nos quais, segundo Ronald Bolaños, diretor da Liberty Internacional Underwriters, a companhia atua não só como resseguradora, mas também como seguradora, o que facilita replicar a operação.

“Temos dois anos para concluir esse trabalho de expansão do modelo da LIU para outros países da América Latina, mas já estamos estudando as áreas nas quais a seguradora poderá atuar nesses países”, disse Bolaños, ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, após conversa com a imprensa, nesta tarde.

Segundo o executivo, a divisão de grandes riscos da Liberty no Brasil vai auxiliar esse avanço por meio de expertise e ainda no fornecimento de talentos que até então respondiam apenas pela operação local, auxiliando o escritório de Miamig. A produção em seguros a ser gerada em outros países da América Latina, porém, deve ficar sob o guarda-chuva de cada nacionalidade uma vez que serão abertas unidades específicas em cada país almejado pela companhia.

No Brasil, o volume de prêmios da LIU de janeiro a novembro cresceu 44% ante igual intervalo do ano passado, para R$ 57,6 milhões. Esse aumento foi possível, segundo Bolaños, a despeito de um perfil ainda mais seletivo da empresa. Ele disse, contudo, que a seguradora não mudou sua estratégia, mas focou em riscos específicos, priorizando a qualidade deles.

“Não deixamos de atuar em nenhum segmento, apenas, focamos em riscos onde poderíamos ser mais competitivos como nos grandes”, afirmou Bolaños, acrescentando que o foco da LIU no Brasil e crescimento orgânico e não via aquisições de carteiras. Após o Itaú Unibanco, neste momento a SulAmérica negocia venda ou parceria no segmento de grandes riscos.

Para 2015, conforme o diretor da LIU, que assumiu o cargo há pouco mais de um ano, o crescimento dos prêmios deve desacelerar para um intervalo de 8% a 10%, refletindo um desempenho atípico ao longo deste ano. Muitas licitações para obras de infraestrutura, de acordo com André Guidetti, superintendente de Engenharia da LIU, já foram feitas. Além disso, deve pesar um menor apetite de grandes multinacionais para investir no Brasil diante da atual conjuntura do País.

Dentre os segmentos de destaque para o próximo ano, segundo executivos da Liberty, estão o D&O (seguro de responsabilidade civil de administradores), E&O (proteção de responsabilidade civil para vários tipos de categorias profissionais) e ainda o ambiental. Novos produtos, porém, não são esperados para 2015, segundo Luiz Antonio Oliveira, da área de responsabilidade profissional e ambiental, uma vez que é aguardada a maturidade de soluções lançadas recentemente como recall. Uma nova área que a LIU quer explorar no futuro, mas que ainda não tem data, é a de plataformas de petróleo, segundo Antonio Lleyda, superintendente de Marine da seguradora.

A divisão de riscos especiais da Liberty foi fundada no Brasil em 2008. Hoje são mais de 20 pessoas dedicadas ao segmento. Quando começou, era menos da metade. A empresa nasceu em 1999, nos Estados Unidos, para fornecer linhas de seguros especiais e hoje opera na América do Norte, Europa, Ásia, Oceania e América Latina.