O preço médio da cesta básica subiu em novembro, na comparação com outubro, em 11 as 16 capitais brasileiras pesquisadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). De acordo com a Pesquisa Nacional de Cesta Básica, divulgada nesta segunda-feira (3) pela instituição, os aumentos mais expressivos no conjunto de produtos alimentícios essenciais foram apurados em Brasília (6,40%), Aracaju (5,73%) e Salvador (4,31%).

No Rio de Janeiro e em São Paulo, as variações de preço foram menos significativas, de 0,33% e de 2,10%, respectivamente. No período analisado, cinco cidades apresentaram queda: Porto Alegre (-4,11%), Vitória (-1,56%), João Pessoa (-0,51%), Fortaleza (-0,17%) e Florianópolis (-0,09%).

Nos primeiros 11 meses do ano, todas as 16 capitais acumulam alta no custo dos produtos alimentícios de primeira necessidade. As elevações mais intensas foram observadas em Salvador (17,35%) Aracaju (16,34%), Vitória (13,79%), Rio de Janeiro (13,73%) e Belo Horizonte (13,16%). A menor variação acumulada foi apurada em João Pessoa (6,39%), única cidade com alta inferior a 10%. Em Brasília, o valor da cesta variou 10,10% e, na capital paulista, 12,87%.

Nos últimos 12 meses até novembro, todas as capitais apresentaram elevação, mas, na maioria delas, o aumento foi inferior ao acumulado no ano. As variações mais expressivas foram verificadas em Natal (14,50%), Fortaleza (13,49%), Belém (12,85%), Salvador (12,61%) e Goiânia (12,59%).

Nove cidades apresentam variação acumulada inferior a 10%, seis delas com aumento menor que o concedido ao salário mínimo este ano, de 8,57%: Belo Horizonte (8,26%), Recife (7,97%), Porto Alegre (6,96%), João Pessoa (5,03%), Florianópolis (4,84%) e Curitiba (4,43%). Em São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro, as variações acumuladas alcançaram 10,90%, 8,90% e 8,84%, respectivamente.

Feijão é destaque de alta

Em novembro, os produtos alimentícios básicos tiveram comportamento predominantemente de alta, conforme informação do Dieese. O principal destaque do mês foi o feijão, cujo preço subiu em todas as capitais e que teve aumentos considerados pela instituição como "extraordinários", com maior relevância em Aracaju (80,87%), Recife (36,19%), Belo Horizonte (35,90%) e Natal (35,69%).

As menores variações ocorreram em capitais onde é acompanhado o preço do feijão preto: Florianópolis (8,58%), Porto Alegre (7 56%), Vitória (5,93%) e Rio de Janeiro (4,71%).

Outros alimentos

No levantamento, a carne, produto de maior peso na cesta básica, ficou mais cara, em novembro, em 15 capitais, em especial em Brasília (13,01%), Salvador (9,46%), Recife (9,00%) e Natal (8 76%). A única redução foi observada em Porto Alegre (-0,55%). "A oferta de carne foi reduzida em função do abate das matrizes e, nos últimos meses, pela decisão de retirada dos embargos à compra do produto pelos principais compradores da Europa, particularmente a Rússia, maior país importador", disseram os técnicos.

A batata, cujo preço é pesquisado nas nove capitais do Centro-Sul do País, teve aumentos expressivos em todas elas. Em relação a outubro, as maiores taxas foram encontradas no Rio de Janeiro ( 38,82%), Brasília (38,46%) e Belo Horizonte (35,42%).

Na outra ponta, o tomate, após vários meses com seu preço em alta, começou a apresentar reduções em outubro (com redução em nove localidades). Em novembro, de acordo com o Dieese, o item registrou queda em 15 capitais, as mais significativas em Recife (-44,86%) e João Pessoa (-42,15%). O preço do açúcar caiu em 10 capitais em novembro, com destaque para Natal (-14,96%) e Recife (-7,27%).

Apesar de, na comparação mensal, o preço do leite haver apresentado queda em oito localidades, lideradas por Florianópolis (-6,25%), em relação a novembro passado houve aumento em todas as capitais. As principais taxas foram observadas em Salvador (40,54%), Porto Alegre (33,93%) e Curitiba (32,73%). Segundo o Dieese, as quedas do último mês refletem o fim do período de entressafra e, ao mesmo tempo, a "alta exagerada" de agosto e setembro.