O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse nesta sexta-feira (14) que, embora o consumo interno esteja crescendo no País, o governo não acredita que isso vai gerar uma inflação de demanda. Ele ponderou que a produção está avançando e os investimentos aumentaram mais do que o consumo. "A inflação exige total atenção. O Banco Central tem que ficar atento a isso, mas não é motivo de alarme, de ficar desesperado", disse.

Paulo Bernardo avaliou que o aumento nos índices de inflação nos últimos dois meses foi gerado pela expansão do consumo e queda na produção de alguns alimentos, mas esse último é um fator sazonal. "O Banco Central tem a obrigação de manter a inflação controlada. Se dois ou três índices de inflação durante mais de um período mostrarem aumento da inflação, o BC tem que estar atento a isso. A função dele é essa", disse Bernardo, referindo-se ao alerta que foi feito na ata do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada ontem, sobre o aumento da demanda.

O ministro avaliou que a queda no ritmo de redução de juros, para corte de 0,25 ponto porcentual na última reunião, ocorreu muito mais em função do aumento da demanda do que por causa das turbulências internacionais. Ele destacou, no entanto, que o documento do Copom foi escrito na semana passada, antes de ser divulgado o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre, na quarta-feira, e a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), hoje, que trouxeram dados positivos.

Ele lembrou também que dentro de alguns dias serão divulgados números mais recentes do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). "Se a inflação refluir, o alerta que o BC está dando na ata deixa de ter caráter imperioso", afirmou Bernardo. O ministro disse que o presidente Lula tem falado que não quer, de forma alguma, que a inflação volte.