O economista Paulo Mol, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), afirmou nesta segunda-feira (5), em entrevista coletiva à imprensa, que não há garantia de que a fase de crescimento da atividade industrial que está se verificando no País em 2007 tenha continuidade em 2008 e nos anos seguintes. Segundo Mol, a combinação de alguns fatores pode evitar a manutenção desse círculo de crescimento, que é impulsionado pela demanda interna.

O primeiro fator mencionado pelo economista como possível redutor da atividade é o corte do ritmo de crescimento das despesas do governo. Segundo ele, as despesas do setor público não têm condição de continuar subindo no mesmo ritmo a partir do ano que vem, e isso deverá impactar a demanda interna, reduzindo-a. "A gente não pode imaginar que as despesas do governo vão crescer indefinidamente", disse Paulo Mol, que, no entanto, é defensor da redução dessas despesas, porque, segundo ele, elevação de gastos implica aumento da carga tributária, o que prejudica o setor privado e o crescimento da economia.

O segundo fator citado por Mol é a interrupção no ciclo de queda dos juros, que terá impacto na economia. Como terceiro fator, o economista apontou a dinâmica da economia internacional. "Nada nos garante que o cenário externo continuará positivo", comentou.

Outro economista da CNI, Renato da Fonseca, afirmou que, na avaliação da entidade, apesar do discurso do governo de que o crescimento da economia está garantido, é preciso haver cuidado, porque esses fatores representam riscos para o desenvolvimento. Fonseca mencionou também como possível trava ao crescimento nos próximos anos a valorização do câmbio. Lembrou que a queda do dólar tem levado a uma substituição de produtos nacionais por importados e, também, a uma redução do número de empresas exportadoras.