Apontados como um dos principais vilões da inflação, os preços dos serviços pisaram no freio em abril. O segmento reduziu o ritmo de alta para 0,44%, após um aumento de 1,09% em março. O resultado contribuiu para amenizar a inflação apurada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) divulgado nesta sexta-feira, 9, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

continua após a publicidade

Diante da pressão menor dos serviços, a taxa do IPCA de 0,67% no mês passado foi menor até mesmo que a registrada pelos bens e serviços monitorados pelo governo, que subiram 0,77%. Ou seja, os preços administrados pelo governo pressionaram mais o IPCA de abril, enquanto os serviços impediram uma alta maior na inflação oficial.

As passagens aéreas contribuíram para essa inversão de papéis que levaram os serviços a assumir repentinamente a posição de mocinhos. As tarifas ficaram 1,87% mais baratas em abril, após alta de 26,49% em março. “As passagens aéreas tinham aumentado em março por causa do carnaval. Passado o carnaval, elas voltaram a cair”, explicou Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preços do IBGE.

Também houve contribuição da desaceleração da alimentação fora de casa, que subiu 0,57%, depois de ter aumentado 0,96% na leitura anterior. “Pode ser que tenha havido certa moderação na demanda, porque os preços subiram tanto que as pessoas podem ter segurado um pouco (o consumo)”, considerou Eulina.

continua após a publicidade

Apesar do resultado favorável em abril, a Tendências Consultoria Integrada prevê que a baixa taxa de inflação registrada pelos serviços no mês será um movimento pontual. A desaceleração ficou concentrada em alguns itens de peso relevante, enquanto outros, de menor peso, registraram aceleração no ritmo de aumento, como os serviços de saúde, reparos, consertos e manutenção.

“Portanto, tudo indica que a baixa taxa de variação registrada pela inflação de serviços em abril não deve se repetir nos próximos meses, em especial nos meses em que ocorrerão a Copa do Mundo, já que o evento deve impor pressões altistas para os preços deste setor”, avaliaram as economistas Alessandra Ribeiro e Adriana Molinari, da Tendências.

continua após a publicidade

A taxa acumulada em 12 meses no setor de serviços ficou em 8,99% em abril, ainda bem acima do IPCA, que fechou em 6,28% no mesmo período. “O IPCA (em 12 meses) vem sendo pressionado pelos serviços e pelo grupo dos alimentos”, confirmou Eulina.

Já os bens e serviços monitorados pelo governo ainda contribuem para conter a inflação no País. Em 12 meses, a alta acumulada pelos preços administrados foi de apenas 3,80%.

O repique da inflação de monitorados em abril foi provocado pelo encarecimento dos remédios, energia elétrica, gasolina, planos de saúde e taxa de água e esgoto. A alta da tarifa de energia elétrica residencial alcançou 1,62%.

A categoria deve voltar a pressionar o índice de preços em maio, com a absorção do impacto de reajustes de energia em cinco regiões metropolitanas: Porto Alegre, Belo Horizonte, Fortaleza, Salvador e Recife. Também devem pesar no orçamento das famílias novos reajustes na taxa de água e esgoto, ônibus urbano, táxi e telefone fixo.