O noroeste do Paraná está em alerta por conta de uma praga que vem gerando prejuízos e tirando o sono dos produtores rurais. É a formiga cortadeira, em particular a saúva (pertencentes ao gênero Atta), cuja ação causa destruição principalmente para pastagens, lavouras de cana-de-açúcar e florestas de eucalipto.

O município de Umuarama, distante 581 quilômetros de Curitiba, é uma das localidades mais atingidas pela praga. De acordo com o secretário de Agricultura de Umuarama, Antonio Carlos Favaro, a questão das saúvas é um problema antigo e que a situação é preocupante, pois, segundo ele, pelo menos 50% do município foi atingido.

“Sempre tivemos ataque dessas formigas, todavia, ultimamente isso vem se intensificando. Estamos realizando reuniões constantes com os agricultores para que eles se conscientizem da gravidade dessa questão. Entendemos que as saúvas são um problema que atinge a todos e estamos montando estratégias para que os produtores rurais possam fazer esse controle”, revela.

Favaro conta ainda que a circunstância que mais incomoda é que, enquanto algumas pessoas fazem o controle do inseto, outras simplesmente ignoram esse caos instalado.

“Todos precisam colaborar para controlar as saúvas. Não adianta um realizar todos os cuidados necessários, se o seu vizinho não combate a praga, pois a formiga não respeita limites e invade outros territórios, principalmente no período da revoada (durante a primavera), época em que a rainha sai para criar um novo sauveiro. O voo do acasalamento pode chegar a até 10 quilômetros”, alerta.

O secretário lamenta que o problema tenha adquirido toda essa dimensão. Ele diz que os proprietários de terras precisam fazer uma verificação bem minuciosa do local para poder realizar o combate contra a praga.

“Os formigueiros são mais comuns nos pastos, onde geralmente o produtor quase nunca verifica para ver se está tudo certo, uma vez que se trata apenas de capim. Contudo, o estrago feito pelas saúvas vai gerar prejuízo para ele. Por exemplo, um sauveiro adulto compete com um boi na disputa pelo alimento, pois ambos consomem em média de 20 a 30 quilos de capim por dia. Além disso, um sauveiro adulto pode chegar até 300 metros quadrados, com cinco metros de profundidade. Isso ajuda a degradar o solo e gera risco de acidentes, como queda dos animais, tratores, pessoas e plantadeiras nas crateras formadas”, avisa.

No caso de quem planta eucalipto, Favaro afirma que se não tomar o devido cuidado, o prejuízo é certo. “Se as saúvas atacarem uma muda de eucalipto, certamente elas irão destruir em pouco tempo. Muita gente que plantou essa árvore foi obrigado a fazer o replantio devido à ação dessa praga”, garante.

Os formigueiros são mais comuns nos pastos, onde um sauveiro adulto compete com o gado na disputa pelo alimento: prejuízo certo.

O último levantamento realizado pelo Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), realizado em 2003, indicava a presença das formigas em 52 mil hectares na região noroeste.

Hoje, esse número tende a ser muito maior, com crescimento constante a cada ano. Além de Umuarama e sua regional, composta por 32 municípios, as microrregiões de Maringá, Paranavaí e Campo Mourão também sofrem com o ataque das saúvas.

Quem não proteger sua propriedade dessa praga estará sujeito à Lei Estadual número 11.200/1995 e a Resolução 123/1987, que prevê uma multa de 100 a 5,4 mil UFIRs (Unidade de Referência Fiscal, extinta em decorrência do artigo 29 da Medida Provisória 2095-76, em 2000), impede ,o acesso do produtor aos créditos rurais e pode ainda interditar a propriedade. “Quem não adequar sua propriedade terá um duplo prejuízo: o dos estragos causados pela formiga e das sanções da lei”, afirma o secretário.

Iscas granuladas são o melhor método para o combate

Existem diversas maneiras de se combater as formigas cortadeiras. O técnico do Emater em Marialva, noroeste do Paraná, Antônio de Pádua Salvado, explica que métodos mecânicos, culturais, biológicos e químicos têm sido estudados para o controle das formigas cortadeiras, tanto as saúvas quanto as quenquéns (gênero Acromyrmex).

“Pelo processo mecânico, existe a necessidade de escavar para retirar a rainha, porém, é uma alternativa pouco recomendada. O controle biológico consiste em utilizar inimigos naturais, como aves, aranhas, besouros, entre outros insetos. O controle químico, ainda que tenha algumas restrições, tem sido eficiente. Pode ser feito por meio dos pós secos gases liquefeitos, líquidos termonebulizáveis e iscas granuladas”, informa.

Dentre os métodos, o técnico acredita que as iscas granuladas apresentam o melhor custo-benefício para combater as formigas cortadeiras. “Ele é o mais barato e é o que menos afeta o meio ambiente. As iscas funcionam da seguinte maneira: esse material é colocado próximo dos formigueiros. Ele tem um odor que chama a atenção das formigas, que carregam as iscas para suas tocas. Ele age diretamente no fungo que serve como alimento da colônia (o capim que eles coletam é o alimento desse fungo) e infecta o alimento deles, gerando a morte do formigueiro”, diz.

O técnico conta que o Emater dispõe de vários técnicos que orientam os produtores sobre os métodos de controle e formas de atuação junto aos produtores.

“O agricultor precisa tomar consciência de que eliminar as formigas não é uma tarefa simples. Pelo contrário, exige uma série de conhecimentos para criar uma estratégia de combate. Por isso a importância de se conscientizar em proteger a sua propriedade dessa praga”, conclui.