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Vendas externas devem desacelerar no ano que vem.

As projeções para o resultado da balança comercial no próximo ano mostram que o mercado aposta na redução do saldo para entre US$ 30 bilhões a USS 36 bilhões, ante um resultado previsto para a casa dos US$ 45 bilhões neste ano, de US$ 44,7 bilhões em 2005 e de US$ 33,6 bilhões em 2004, segundo o Ministério do Desenvolvimento. O Banco Central já divulgou sua estimativa de saldo de US$ 30 bilhões no ano que vem. Para o economista-chefe do Banco do Brasil, Uílson Melo, o superávit encerra 2007 em US$ 36 bilhões. O sócio-diretor da RC Consultores, Fábio Silveira, acredita em resultado positivo de US$ 35 bilhões.

Embora parte das instituições que lidam com comércio exterior ainda não tenha feito projeção para a balança comercial no ano que vem, como a AEB, a Funcex e o Iedi, é unânime a opinião de que o superávit desacelera.

Na avaliação do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), as altas taxas de crescimento das exportações brasileiras nos últimos anos (na casa dos 20%) estão em risco, justamente porque ligadas a apenas dois fatores correlatos: o primeiro é o forte volume de bens que os parceiros comerciais, essencialmente os da América Latina, compram do Brasil.

O segundo, mas não menos importante, é o desempenho muito favorável dos preços dos principais produtos da pauta brasileira de exportação, sobretudo as commodities agrícolas, as metálicas e as não metálicas.

Dados elaborados pela Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex) mostram que, entre janeiro e setembro de 2006, os preços do total das exportações brasileiras cresceram 12%, enquanto o volume teve alta de apenas 4%. O Iedi ressalta, ainda, que não foram apenas os bens commoditizados que se beneficiaram dos preços internacionais, mas também os manufaturados. ?Para essa categoria de produto, as altas taxas de crescimento dos nossos parceiros latino-americanos abriram espaço para reajustes de preços, que compensaram total ou parcialmente a apreciação cambial?, diz o economista-chefe da entidade, que assina a Análise Iedi sobre comércio exterior.

Somados ao fato de as importações brasileiras no ano até outubro só não terem crescido em níveis ainda maiores do que os atuais (25,5% sobre o mesmo período do ano passado) por conta do fraco desempenho da economia brasileira neste ano, os fatores citados mostram que o desempenho da balança está especialmente vulnerável a uma reversão da fase de alta do ciclo de preços das commodities, que se iniciou em 2002 e começou a mostrar perda de fôlego em meados deste ano. E, pior, essa reversão dos preços internacionais não afetará as vendas externas brasileiras apenas diretamente, mas também indiretamente.

O motivo é que o ótimo desempenho das economias latino-americanas se ancora, principalmente, nas receitas extraordinárias geradas por exportações também de algumas commodities valorizadas, como cobre e petróleo. Em outras palavras: com menos receita proveniente das próprias exportações, os parceiros comerciais tendem a importar menos do Brasil.

Ao mesmo tempo, se de fato a economia brasileira crescer mais em 2007 do que neste ano – o governo acredita em 5% -, as importações devem crescer ainda mais, reduzindo o saldo. ?Temos uma posição muito vulnerável?, reiterou Pereira. ?As importações tendem a continuar a crescer?, completou Silveira, que atribuiu o estimado encolhimento das vendas externas também ao câmbio.