Salário médio da mulher é 27,7% inferior ao do homem

Mesmo com indicadores de escolaridade superiores aos apresentados pelo sexo masculino, as mulheres ganham salários 27,7% inferiores aos dos homens, segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O estudo divulgado hoje, para marcar o Dia Internacional da Mulher, registrou que a diferença entre os rendimentos é ainda maior entre trabalhadores de maior escolaridade.

Os dados, baseados na Pesquisa Mensal do Emprego (PME) de 2009, mostram que a média salarial das mulheres representa 72,3% da média dos homens. No caso de trabalhadores com nível superior, no entanto, há uma discrepância maior. No comércio, mulheres que concluíram cursos em universidades ganham, em média, R$ 2.066 por mês – o equivalente a 55,6% dos R$ 3.720 recebidos pelos homens com a mesma escolaridade. O cenário é o mesmo para as profissionais de outros segmentos, como construção (59,8% da média salarial dos homens), indústria (60,9%) e administração pública (62,6%).

Segundo o pesquisador Cimar Azeredo, do IBGE, os números são um reflexo da atuação de homens e mulheres em diferentes funções no mercado de trabalho. “No setor de saúde, por exemplo, há muitas mulheres trabalhando como enfermeiras e muito homens trabalhando como médicos – profissão que dá um retorno financeiro maior. Da mesma maneira, há muitas mulheres trabalhando como professoras do ensino básico e muitos homens, como professores universitários”, explica. “Ainda há carreiras em que mulher não está muito presente.”

Considerando-se os trabalhadores de todas as escolaridades e grupos de atividades, a diferença entre as médias de rendimento de cada sexo apresentou apenas uma leve queda entre 2003 e 2009, passando de 29,2% para 27,7%.

Em relação à qualificação dos profissionais, o IBGE constatou um aumento da escolaridade dos trabalhadores dos dois sexos, com vantagem para as mulheres. No ano passado, 61,2% delas tinham, ao menos, o ensino médio completo, contra 53,2% dos homens. A parcela de mulheres no mercado de trabalho com nível superior era de 19,6%, superior à dos homens (14,2%). “A mulher tem mais escolaridade do que o homem por uma questão cultural. O homem sai mais cedo de casa para trabalhar e a mulher tem a chance de estudar mais”, afirma Azeredo.

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