Não precisa ser muito bom em matemática para perceber o abismo existente entre os preços do chocolate em barra e os dos ovos de Páscoa. Tanto que pelas redes sociais multiplicam-se as comparações com diversos itens como picanha e bacalhau. E as projeções das redes de supermercados confirmam que outros produtos sazonais, inclusive o coelhinho de pelúcia, devem apresentar crescimento nas vendas superior ao dos ovos, já que nem todo mundo está disposto a gastar de quatro a 12 vezes a mais para comer ou presentear com chocolate.

Com uma barra de um quilo de chocolate próprio para a produção, que custa entre R$ 17 e R$ 18, dá para produzir de quatro a cinco ovos de Páscoa do tamanho número 15, que engloba desde os ovos com 170 g de chocolate até os de 240 g. Quem quiser uma das novidades desta Páscoa, a Taça do Mundo, vai desembolsar aproximadamente R$ 60 para degustar 300g de chocolate em formato de troféu.

Além da economia, atualmente, a decisão de respeitar o próprio bolso vem acompanhada por uma infinidade de facilidades oferecidas pelo mercado do “faça você mesmo”, que engloba embalagens de todos os tipos e formas que evitam desperdício de produto e de tempo. E qualquer pessoa com o mínimo de habilidade consegue produzir um ovo de Páscoa em 15 minutos.

A afirmação é da especialista em chocolates e chefe de cozinha Crestyane Cordeiro, que há 20 anos trabalha com o produto. “Com as novas formas de silicone em três camadas, ficou fácil de atingir até o nível ideal de preenchimento para fazer o ovo na espessura padrão”, informa. A sujeira e o desperdício deixaram de existir com o fim da etapa de balançar a forma para que o produto ocupe toda a cavidade.

Nas casas especializadas em embalagens, uma forma de silicone para um ovo de 250g custa entre R$ 6,50 e 8,50 e, segundo Crestyane, se forem bem cuidadas duram muitos anos.

Artesanal

Ela diz que para derreter o chocolate levam alguns minutos no banho-maria no forno convencional ou três etapas de dois minutos na potência média do microondas. “Para preservar a qualidade se deve ter em mente que o calor excessivo é um dos piores inimigos do chocolate. Por isso não dá para deixar ferver a água no banho-maria do forno convencional, nem abrir mão do intervalo de cada etapa que totaliza os seis minutos do microondas”, esclarece.

Em seguida, se untar a forma, coloca-se o recheio até o nível indicado. A segunda camada protege do contato com a outra camada que é anexada, a fim de que uma parte não grude na outra. Feito isso, são necessários menos três minutos na geladeira para a casca do ovo endurecer. “O freezer não é recomendado por conta do choque térmico ser maior e comprometer o brilho”, explica a especialista.

Outro detalhe importante na produção artesanal é respeitar a validade. “O recomendável é que os produtos com chocolate sejam confeccionados com até 30 dias de antecedência da data em que serão consumidos, já aqueles recheados como trufas e bombons têm a validade restrita a sete dias”, alerta.

Comerciantes triplicam faturamento

As casas especializadas em atender quem fabrica o ovo de Páscoa ou derivados afirmam que o faturamento nesta época do ano chega a triplicar. “É o nosso Natal. Nesta época do ano, em um sábado, atendemos mais de mil pessoas”, afirma o gerente da SLM Casa do Confeiteiro, Cleiton Carlos de Oliveira.

A importância da data e da quantidade de pessoas que decide produzir para a Páscoa, seja para atender a família, seja para garantir renda extra, leva o estabelecimento a promover uma série de cursos rápidos por preços que variam de R$ 25 a R$ 90.

Produção

Visando presentear cerca de dez pessoas entre familiares e amigos, a microempresária da empresa Chocolícia, Daniele Miranda, começou a investir no ramo.

“Percebi que dava para economizar pr,esenteando mais pessoas e ainda diversificar a produção de bombons que eu já faço há oito meses, desde que decidi deixar o meu emprego para cuidar do meu filho de um ano”, conta.

Daniele diz que entre fitas prontas e celofane para embalar dez ovos, ela gasta em torno de R$ 4. “Somando todo o custo de produção, dá para fazer pelos menos quatro ovos grandes de Páscoa pelo valor de um dessas grandes marcas vendidas em supermercados”, afirma.

Adoçando o bolso

Como fonte de renda, o chocolate também é uma boa alternativa. Há quatro anos a empreendedora Silmara Angelo Santos Somma resolveu investir no ramo, após descobrir que tinha alergia a um dos produtos que usava na produção de enfeites de bisquis.

“Decidi por acaso produzir chocolates e biscoitos, para aproveitar uma feira de Páscoa, e vi o faturamento se multiplicar em quatro anos. Claro que com muito trabalho, uma jornada de 12 horas por dia”.

Detentora da marca Stamma Chocolates e Biscoitos Artesanais, ela projeta vender em torno de 500 quilos de chocolate durante a Páscoa. “O ano todo vende bem, mas essa época é incomparável para o setor”, aponta.