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Valor do dinheiro – principalmente no crédito – ainda é muito alto.

São Paulo – Ninguém se arrisca a bater o martelo quando se quer definir qual o real valor do real. É certo que a moeda brasileira subiu 60% em relação à americana nos últimos quatro anos, mas às vésperas do Real completar 13 anos, ainda se paga muito caro pelo dinheiro brasileiro, principalmente quando se recorre a qualquer tipo de crédito, já que as regras em que o setor financeiro se baseia ainda permitem algumas distorções na fixação de taxas e encargos.

 É por isso mesmo que muitas vezes a pessoa que opta por uma determinada instituição financeira, atraída pelos juros por ela apregoados, descobre depois que está pagando mais caro, do que se tivesse optado pela concorrente que apresentava uma taxa de juros maior, porém oferecia encargos menores.

O cálculo, por exemplo, do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) – cobrado nas contratações de empréstimos – pode seguir hoje mais de um critério, o que obviamente leva a valores diferentes. Daí o fato de até experts em finanças quebrarem a cabeça para entender como uma determinada prestação foi calculada.

Especialistas, como o professor de finanças Rafael Pachoarelli, já lançaram vários alertas sobre a falta de transparência nas negociações que tornam o seu dinheiro mais caro. Mas enquanto as regras do jogo não são alteradas vale seguir os conselhos ou dicas de consultores para fazer o seu dinheiro render. ?A valorização do Real e a economia estável que vivemos dão margem a que muita gente consiga antecipar projetos de independência financeira. Mas para isso é preciso estar atento ao que o mercado mais valoriza no momento?, diz o consultor financeiro Rômulo Roandy.

O próprio governo sentiu a necessidade de chamar a atenção da população contra o desperdício, que fez com que, em 2006, fossem gastos R$ 136 milhões na fabricação de 1,21 bilhão de cédulas – 80% desse total tiveram de ser repostas porque as notas perderam o valor por estarem rasgadas, riscadas ou danificadas.

Além do custo alto de reposição das notas, a campanha ora desenvolvida pelo Banco Central em favor da valorização do uso do dinheiro, também quer evitar a emissão desnecessária de moedas. É porque a instituição calcula que dos 12 bilhões de moedas do Real já emitidas, menos de 50% estão nas ruas.

?A nossa expectativa é que as moedas retidas retornem à circulação. É certo que as pessoas devem fazer poupança. Mas que guardem as moedas em cofres que sejam levados aos bancos em seis meses, no máximo?, defende Cláudio Legoeiro, chefe-adjunto do meio-circulante do BC.

Contrário ao uso de ?cofres do tamanho de um bonde?, Legoeiro argumenta ainda pela falta de troco no comércio. ?Gastamos no ano passado R$ 180 milhões na fabricação de moedas. Um terço que voltasse a circular, já seria uma economia de R$ 60 milhões?, estima.