Rússia reabre fronteira para a carne brasileira

A Rússia decidiu suspender o embargo à importação de carne brasileira (bovina e suína) proveniente de seis estados: São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Goiás, além do Paraná. O fim do bloqueio entra em vigor a partir de amanhã. A informação é do diretor-executivo da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne), Antonio Jorge Camardelli, que participa das reuniões na Rússia para o anúncio oficial do acordo. Só no Paraná, estima-se que cerca de US$ 10 milhões deixaram de ser comercializados por conta do embargo russo.

De acordo com o economista Gustavo Fanaya, do Sindicato da Indústria de Carnes no Paraná (Sindicarnes-PR), a Rússia é um dos mais importantes mercados para o Estado. Só no ano passado, a venda de suínos para os russos representou 57% das vendas paranaenses. Foram 37,2 mil toneladas, comercializadas a US$ 64,8 milhões. Já as carnes de aves, suínas e bovinas somaram o total de 84,1 mil toneladas, com faturamento de US$ 131 milhões. ?Isso já sob os efeitos do embargo. Não fosse isso, o faturamento poderia ter chegado a US$ 140 milhões ou US$ 145 milhões?, arriscou.

Segundo Fanaya, os prejuízos do embargo russo, no entanto, não terminam com a atual decisão. É que no período em que o Brasil esteve proibido de exportar carne para a Rússia – desde 20 de setembro -, o país começou a ser abastecido por outros fornecedores. ?Este importador buscou fontes alternativas, o que garantiu contratos para nossos concorrentes. Agora, vamos ter que celebrar contrato apenas com o excedente e aguardar que os contratos atuais terminem?, afirmou, explicando que os contratos de exportações obedecem a um cronograma, que pode ser de até um ano. Com o embargo, o Brasil não pôde mais celebrar novos contratos com importadores russos. O resultado é que em janeiro, por exemplo, o Paraná não enviou nenhuma carne bovina para aquele país, pois todos os contratos já expiraram.

Para Fanaya, deve levar um ano até que a relação comercial entre os dois países se reestabeleça nos patamares de faturamento em que se encontrava anteriormente. ?Deixamos de aproveitar uma grande oportunidade e fomos impedidos de ter um crescimento ainda maior?, lamentou.

Em todo o País, foram exportadas para a Rússia no ano passado 650 mil toneladas de carnes, o que representou quase US$ 1 bilhão. Segundo Fanaya, o Brasil poderia ter faturado no mínimo US$ 50 milhões a mais, não fosse o embargo.

Histórico

O primeiro embargo à carne brasileira foi decretado pela Rússia em junho do ano passado, após a notícia de um foco de febre aftosa no município de Monte Alegre, no Pará. Mas esse bloqueio foi retirado uma semana depois. Em setembro, houve o segundo embargo após o Brasil ter anunciado a descoberta de um novo foco de febre aftosa, no Amazonas.

Na época, o governo federal estimou que devido ao embargo, o Brasil teria uma perda diária de US$ 4 milhões, sendo US$ 1 milhão em carnes bovinas, US$ 1 milhão em carne de aves e US$ 2 milhões em carne suína.

Desde então, os pecuaristas e o governo federal iniciaram uma série de negociações comerciais para suspender o veto. Os estados atingidos pela restrição conseguiram provar que seus rebanhos estão vacinados e livres da febre aftosa.

No mês passado, a Rússia suspendeu o embargo à compra de carne de frango. Mas a liberação não vale para frangos produzidos nos estados do Amazonas e do Pará. Ontem uma missão do governo brasileiro embarcou para Moscou, para negociar a liberação das vendas também destes dois estados.

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