A notícia de que um senador da oposição divulgaria uma denúncia contra o ministro José Dirceu (Casa Civil) fez o dólar subir 1% e atingir a máxima de R$ 2,923 durante os negócios de ontem pela manhã. Mas as cotações estabilizaram à tarde após o discurso do senador Almeida Lima (PDT-SE), que não trouxe fato novo sobre o caso Waldomiro Diniz. A moeda dos EUA fechou em leve queda de 0,06%, vendida a R$ 2,892. Foi a sexta baixa consecutiva. No ano, a divisa acumula queda de 0,34%. A Bolsa de Valores de São Paulo fechou ontem em queda de 0,25%, em 22.442 pontos e giro financeiro de R$ 1,109 bilhão.

A falta de consistência do discurso do senador, embasado apenas em notícias de jornais citadas em um inquérito policial, foi criticada por analistas do mercado financeiro. Eles ironizaram a ausência de fatos novos e compararam o autor do depoimento à personagem Darlene, da novela “Celebridade”, da TV Globo, que faz tudo para aparecer na mídia.

“Foi um papel ridículo, de novela. A intenção era só aparecer, criar um fato que não existia”, disse o analista da Novação, Mario Battistel.

Desde a noite de anteontem, Lima avisava aos jornalistas que iria apresentar ontem, no Senado, provas “veementes” contra Dirceu.

Para o diretor da corretora Vision, Mauro Araújo, a tendência do mercado de câmbio é se acalmar. O depoimento do pivô da crise política do governo Lula na Polícia Federal, Waldomiro Diniz, ainda estava em andamento na hora do fechamento do dólar. Ele se negou a responder a 50 perguntas e disse que só responderá em juízo.

Foi a primeira aparição pública do ex-assessor de Dirceu desde o dia 13 de fevereiro, data da divulgação do vídeo que mostra Diniz pedindo propina de 1% sobre doações eleitorais ao empresário de jogos Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.