Estimativas do Porto de Paranaguá mostram que, caso as cerca de 6 milhões de toneladas de soja em grãos exportadas pelo terminal paranaense no ano passado fossem geneticamente modificadas, os produtores teriam de pagar perto de R$ 90 milhões em royalties à multinacional Monsanto, proprietária da patente da tecnologia.

“Cada tonelada de soja transgênica exportada equivale a R$ 15,00 em royalties”, explica o superintendente Eduardo Requião. “Além disso, se o produtor não declarar a utilização das sementes geneticamente modificadas, pagará R$ 25,00 por tonelada”.

Na opinião do dirigente portuário, seria uma despesa que prejudicaria toda a economia do Paraná e do País. “O prejuízo abalaria as negociações com mercados cativos e fecharia novas negociações com possíveis clientes”, analisa.

Atualmente, o Porto de Paranaguá mantém como seu principal cliente a Europa, detentora de 40% do total de soja exportada pelo terminal. “Se abrimos mão deste referencial de qualidade e respeito aos clientes, embarcando grãos transgênicos, estaremos abandonando importantes mercados”.

Eduardo Requião lembra que caso o Paraná aceitasse as imposições da multinacional americana, o Brasil viveria uma situação semelhante à da Argentina, que possui 90% das áreas plantadas cultivas com transgênicos e que encontra dificuldades de colocar soja no mercado global.

O superintendente do porto analisa também o prejuízo causado aos produtores paranaenses depois que alguns deles aceitaram plantar soja transgênica. “São vítimas iludidas por uma propaganda que não retrata a realidade do mercado consumidor”, avalia.

O governo americano – relata ainda Eduardo Requião -liberou em 2003 US$ 110 milhões para 65 organizações que promovem produtos agrícolas do País no exterior. Entre elas, estava a American Soybeans Association que gastou cerca de US$ 1 milhão para estimular o consumo de OGMs. “Toda esta estrutura tem um preço muito caro pago pelos produtores na forma de royalties”.