O indicador de risco-país do Brasil recuou para 110 pontos na sexta-feira (9), o menor patamar desde fevereiro de 2020, antes da pandemia. O Credit Default Swap (CDS) de cinco anos — que mede a percepção de risco sobre a economia — caiu após o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais, com a liderança de Flávio Bolsonaro e a formação de um Congresso com maioria conservadora. As informações são da Gazeta do Povo.

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O movimento reflete a expectativa do mercado por uma condução econômica mais liberal a partir de 2027. A Bolsa acumulou alta de 9,29% na semana seguinte ao pleito, chegando aos 209.967 pontos, enquanto o dólar comercial recuou 4,43%, de R$ 5,22 para R$ 4,98. O indicador brasileiro se aproximou do patamar do México, que está em 94 pontos, mas ainda há diferenças relevantes: o México tem grau de investimento pelas três maiores agências globais, enquanto o Brasil segue na categoria especulativa.

A Eurasia Group elevou as chances de vitória de Flávio Bolsonaro no segundo turno para 80%. O PL elegeu 121 deputados federais e conquistou 19 das 54 vagas renovadas no Senado em 2026. Nos estados, 20 dos 27 governadores foram eleitos no primeiro turno, dos quais dez são aliados diretos do candidato, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul.

Entre as propostas do candidato está a substituição do arcabouço fiscal por um limite rígido ancorado na relação entre dívida pública e PIB. A dívida saltou de 71,7% em janeiro de 2023 para 82,9% do PIB em agosto de 2026. O plano prevê um ajuste primário de R$ 190 bilhões a R$ 250 bilhões, cortando despesas, além da extinção de ao menos dez ministérios e do fim da reeleição.

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A queda nas taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2032 — de mais de 14% ao ano para 12,31% ao ano entre 2 e 9 de outubro — permitiu ao Tesouro Nacional captar R$ 33,3 bilhões em títulos prefixados em uma única operação na quinta-feira (8). Foi o maior leilão do tipo desde dezembro de 2020. No dia 5, a entrada líquida de investidores estrangeiros na B3 bateu recorde, com R$ 10,06 bilhões em uma única sessão.

A sustentabilidade dessa trajetória depende de superar restrições fiscais estruturais. Os juros da dívida consumiram R$ 1,18 trilhão nos 12 meses encerrados em agosto de 2026, o equivalente a 8,86% do PIB. As despesas obrigatórias consomem 90,8% do teto do arcabouço fiscal, deixando apenas 9,2% para gastos discricionários e investimentos. Analistas alertam que, sem reformas e um pacto fiscal transparente, a valorização dos ativos pode se reverter caso o pacote de ajustes trave no Congresso.

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