Uma reunião, amanhã, na Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), em Curitiba, pode levar a um consenso entre a indústria cerâmica de Campo Largo e a Compagás, que distribui gás natural canalizado no Paraná.

Os produtores de louças e porcelana da região vêm cobrando abertamente da distribuidora uma redução nos preços do combustível, alegando que estão perdendo competitividade para indústrias de outros estados, onde a redução, pela Petrobras, nos valores do gás natural, estaria sendo repassada no preço final do produto.

O presidente do Sindicato das Indústrias de Vidros, Cristais, Espelhos, Pisos e Revestimentos, Cerâmica de Louças e Porcelana do Paraná (Sindilouça-PR), José Canisso, diz que o setor está “ansioso e preocupado” com os preços do combustível. “A Bolívia reduziu o preço (do gás natural) em 44%, e a Petrobras reduziu em 17% para a Compagás. Nós também queremos usufruir dessa redução”, afirma.

Para Canisso, o que aumenta a apreensão das indústrias de Campo Largo é o fato das distribuidoras de gás de estados como Santa Catarina e Rio Grande do Sul, que abrigam empresas concorrentes, já estarem repassando descontos de 12%, em média.

“Em São Paulo também vai ter desconto. Só a Compagás ainda não se manifestou”, cobra. O setor cerâmico, segundo ele, é responsável por aproximadamente a metade – cerca de 400 mil metros cúbicos por dia – do consumo de gás natural do Paraná.

De acordo com o Sindilouças-PR, as indústrias paranaenses pagam de R$ 1,0641, no maior consumo, ou R$ 1,5365, no menor consumo, pelo metro cúbico do combustível, incluídos os impostos.

O gás natural boliviano – ainda segundo o Sindicato – chega à Petrobras a cerca de R$ 0,35 por metro cúbico. O Sindilouças-PR ainda informa que a tarifa do produto é composta de acordo com uma série de fatores, como a variação trimestral do dólar e do petróleo, e um custo médio anual para o transporte, além de tributos como PIS, Cofins e ICMS. O restante seria a margem de lucro da distribuidora.

A assessoria de imprensa da Compagas informa que a empresa vem se reunindo, desde a semana passada, para discutir a questão. A companhia, porém, ainda não tem uma definição final sobre o assunto.