Fábio Alexandre
Newton Ribas: necessidade de investigações complementares.

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) suspendeu ontem as restrições sanitárias impostas aos municípios paranaenses de Bela Vista, Grandes Rios, Maringá e São Sebastião da Amoreira, onde havia animais suspeitos de febre aftosa. Os quatro municípios abrigam 481 propriedades rurais, que agora podem retomar suas atividades normais, como vacinar o rebanho, vendê-lo, encaminhá-lo para abate. Apenas a região de Loanda, onde há 95 propriedades rurais, permanece interditada. A Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab) espera que a última região seja liberada pelo Mapa até o final da próxima semana.

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 Ao todo, foram coletadas 11.819 amostras de sangue de animais em 576 propriedades rurais localizadas num raio de 10 km dos focos de aftosa. ?Os trabalhos, que se encerraram na última quarta-feira, descartaram a possibilidade de circulação viral nas regiões de Bela Vista do Paraíso, Grandes Rios, São Sebastião da Amoreira e Maringá?, declarou o secretário estadual de Agricultura e Abastecimento, Newton Pohl Ribas, durante coletiva ontem à imprensa. ?Em Loanda, segundo o Ministério da Agricultura, ainda há necessidade de prosseguir com as investigações complementares?, acrescentou.

Segundo o secretário, há 16 propriedades na região de Loanda que ainda estão sendo avaliadas pelo Mapa. ?Querem informações complementares do rebanho, como a movimentação dos animais, as GTA´s (Guias de Transporte Animal)?, explicou Ribas. De acordo com o secretário, o Departamento de Defesa Sanitária Animal da Seab já está preparando as informações solicitadas pelo Ministério e deve encaminhá-las a Brasília até a próxima quarta-feira, dia 13. Apesar de a investigação complementar recair apenas sobre 16 propriedades específicas, todas as 95 propriedades da região de Loanda – onde a cerca de 33 mil cabeças de bovinos – permanecem interditadas.

Outras propriedades

Em outras 481 propriedades localizadas em São Sebastião da Amoreira, Maringá, Bela Vista do Paraíso e Grandes Rios – num raio de 10 quilômetros das propriedades apontadas como focos de febre aftosa -, a rotina já pode ser retomada imediatamente, conforme nota técnica n.º 40, divulgada ontem pelo Ministério da Agricultura.

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?Com essa medida, os criadores desses quatro municípios vão poder comercializar normalmente seus rebanhos para outros estados e, inclusive, exportar, se eles encontrarem países interessados em adquirir seus produtos?, explicou o diretor do Departamento de Saúde animal do Mapa, Jamil Gomes de Souza.

Souza explicou que o Mapa decidiu continuar com as restrições impostas à região de Loanda porque ?os resultados obtidos apontaram para a necessidade de prosseguimento das atividades de investigação complementar?. O diretor informou, ainda, que o município de Loanda vai permanecer interditado até o término das investigações complementares nas propriedades onde foram identificados bovinos reagentes ao sistema de diagnóstico para detecção de anticorpos contra proteínas não-estruturais (PNE).

Necropsia

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Sobre o resultado da necropsia de 23 animais que foram abatidos – que poderá servir como base para que os pecuaristas que tiveram o rebanho sacrificado entrem na Justiça pedindo indenização -, o secretário da Agricultura informou que os testes para identificação viral tiveram resultados negativos. ?Mas os criadores aguardam outro tipo de análise (a histopatologia), que ainda está em andamento?, acrescentou. Segundo o secretário, os laboratórios incumbidos de fazer a análise prometeram entregar os resultados finais ainda este mês.

Resultado positivo em São Paulo

Os resultados de análises dos bovinos de quatro propriedades da região de São José do Rio Preto, noroeste do estado de São Paulo apresentaram resultado sorológico positivo para a febre aftosa. Os exames foram realizados pelo Laboratório Nacional Agropecuário (Lanagro) do Rio Grande do Sul. A Secretaria da Agricultura de São Paulo divulgou nota informando que o resultado não é conclusivo, pois os animais tinham sido vacinados.

Técnicos da Coordenadoria de Defesa Sanitária Animal farão nova colheita de amostras para exames no mesmo laboratório. Se houver reagentes à segunda prova, serão colhidas amostras de muco dos animais para realização de um tipo de teste mais conclusivo.

Paraná aguarda status de livre de aftosa com vacinação

No dia 28 de setembro, completa seis meses desde que o último animal suspeito de febre aftosa no Paraná foi abatido. Segundo o secretário estadual da Agricultura e Abastecimento, Newton Pohl Ribas, depois que o Estado conseguir liberar a região de Loanda para comercializar seus animais, o governo estadual vai elaborar um relatório que será encaminhado ao Ministério da Agricultura, em Brasília, que por sua vez fará um novo documento a ser encaminhado à Organização Internacional de Sanidade Animal (OIE). A expectativa é que o Paraná retome o status de livre de aftosa com vacinação e volte a exportar o quanto antes.

Histórico

No dia 21 de outubro do ano passado, o governo do Paraná comunicou ao Ministério da Agricultura a suspeita de focos de febre aftosa no Estado. Era apenas o início da crise que estaria por se instalar no setor pecuário de corte e leiteiro. ?Alguns dizem que nos precipitamos. Eu acho que não. Dentro do princípio de precaução, responsabilidade e transparência absoluta, tínhamos que fazer aquilo (anúncio da suspeita)?, defendeu o secretário. Desde então, centenas de portas – tanto do mercado interno como externo – foram se fechando.

No dia 7 de dezembro, o Ministério da Agricultura notificou o primeiro foco de aftosa no Paraná: a Fazenda Cachoeira, em São Sebastião da Amoreira. A dúvida era sacrificar ou não os animais. O pecuarista André Carioba, dono da fazenda, ingressou na Justiça impedindo que seu rebanho (cerca de 1,8 mil animais) fosse abatido.

No dia 20 de fevereiro, outra surpresa: o Mapa decretou como focos de aftosa outras seis propriedades rurais do Paraná: Cesumar e Pedra Preta, em Maringá; Flor do Café, em Bela Vista do Paraíso; Santa Izabel, em Grandes Rios; São Paulo e Alto Alegre, em Loanda.

Ao todo, 6.781 animais foram sacrificados no Estado, o último deles na Fazenda Alto Alegre, no dia 28 de março. Desde então, foram adotados os procedimentos sanitários necessários, como o vazio sanitário e a colocação de animais-sentinela.