Porto Alegre – O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, avaliou ontem que as reservas brasileiras estão em um nível “perfeitamente confortável”, lembrando que elas totalizaram em agosto US$ 47,8 bilhões pelo conceito de liquidez internacional. “Além disso, como é sabido, o Brasil já iniciou as conversações tendo em vista uma possível renovação do acordo com o FMI (Fundo Monetário Internacional)”, acrescentou, durante palestra na Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs). Meirelles voltou a enfatizar que a decisão sobre a renovação do acordo ainda não foi tomada, mas observou que a posição atual do Brasil “é muito confortável, com ou sem o Fundo, não se prevendo dificuldades para o financiamento de nossas contas externas”. Na apresentação, em reunião-almoço promovida pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef), Meirelles reafirmou que o Brasil vive uma situação muito diferente daquela que existia durante os acordos mais recentes com o FMI, numa referência à saída do período de crise. “Portanto, um acordo, caso seja porventura assinado com o Fundo, seria um acordo construtivo, de retomada de crescimento”, avaliou.

O presidente do BC reiterou a expectativa de US$ 10 bilhões de ingresso de investimento estrangeiro direto (IDE) este ano e de US$ 13,4 bilhões par a 2004. Repetiu que o Banco Central não tem uma meta para o nível da taxa de câmbio e lembrou a previsão de um superávit comercial de US$ 20,5 bilhões para o final de 2003.

“Queda no risco possibilitará crescimento”

Porto Alegre – A redução do risco-País é fundamental para que o Brasil possa fazer deslanchar todo seu potencial de crescimento de longo prazo, afirmou ontem o presidente do Banco Central, Henrique Meirel-les, durante palestra em Porto Alegre (RS). Ele avaliou que é possível promover esta queda com a continuidade de políticas fiscais e monetárias consistentes.

Meirelles disse que este esforço é recente no Brasil, exige empenho e paciência, mas é a “única opção”. Segundo ele, a manutenção desse esforço deve provocar uma diminuição consistente no risco-Brasil, o que já vem acontecendo e deve se aprofundar de maneira consolidada.

Os indicadores sinalizam que a economia pode crescer de forma sustentada, segundo o presidente do BC. Ele disse que o otimismo do governo está baseado no fato de que o Brasil atravessou a crise perdendo cerca de 5% de seu produto em linhas externas. Outras nações que fizeram ajustes semelhantes tiveram redução do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto o Brasil ainda está tendo este ano crescimento modesto, mas positivo, comparou Meirelles. “Isso é uma diferença enorme”, avaliou. Para ele, isso “dá as bases para o crescimento sustentado”.

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse que está olhando com atenção as taxas de inflação, visando detectar qualquer possível retomada no curso da inércia inflacionária. “Temos de olhar com muita tranqüilidade”, complementou. “A expectativa é de que os aumentos das taxas de inflação sejam pontuais”, observou, citando fatores sazonais e preços administrados.

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