Pesquisa da Fundação Seade/Dieese aponta que o trabalhador ainda não sentiu no bolso a melhora do mercado de trabalho. Em dezembro, por exemplo, o salário médio da Região Metropolitana de São Paulo caiu 0,4% em relação a novembro, passando a corresponder a R$ 1.013. Foi a pior média salarial já verificada no mês de dezembro de toda a série histórica da pesquisa de emprego – iniciada em 1985.

Na comparação com dezembro de 2003, quando o salário médio era de R$ 1.060, a queda foi de 4,4%. Já a massa salarial – soma de todos os salários – de dezembro caiu 0,3% na comparação com novembro. Em relação a dezembro de 2003, a retração na massa salarial foi de 0,9%.

Essa queda no somatório de todos os salários só não foi mais forte porque houve aumento do nível de ocupação. Em janeiro, por exemplo, houve um incremento de 4,6% no nível de ocupação frente ao mesmo mês de 2004, resultado da abertura de 365 mil vagas.

?O que vem puxando o crescimento da massa de salário é o aumento da ocupação, já que a renda média continua em queda?, disse Alexandre Loloian, coordenador de pesquisa do Seade.

Crescimento econômico

Segundo o diretor-técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio, o mercado de trabalho viveu em 2004 o primeiro ano de crescimento após a reestruturação do modelo de produção da década de 90. ?Há muito tempo não se tinha uma queda do desemprego por um período tão longo – nove meses até janeiro.?

Para Loloian, essa melhora do mercado de trabalho é reflexo do crescimento econômico de 2004. ?Nos anos de baixo crescimento econômico, o emprego não respondeu da mesma forma que em 2004. Houve inclusive aumento do desemprego.?

Para ele, a retomada do salário médio depende da continuidade do crescimento da economia e do emprego. ?Lá na frente, é possível que o rendimento médio se beneficie do crescimento econômico e da melhora do emprego.?