O candidato à Presidência Renan Santos (Missão) iniciou sua campanha com reuniões no mundo empresarial. Na segunda-feira (17), ele apresentou suas propostas em uma conferência do Banco Santander, em São Paulo. Na terça (18), viajou a Brasília para encontros com representantes de diversos segmentos do mercado. As informações são da Gazeta do Povo.
O plano econômico de Renan atraiu elogios, mas empresários resistem em declarar apoio público. A avaliação é que ele não tem chances de vencer e preferem apostar em Flávio Bolsonaro (PL), melhor posicionado nas pesquisas contra Lula (PT). Pesquisa do Instituto Nexus mostrou Lula com 41% das intenções de voto, Flávio com 36% e Renan com 4%.
Durante evento em João Pessoa (PB), Renan reclamou da falta de apoio público. “Por que diabos a elite ainda não assumiu o risco? Eu estive em reunião com os maiores empresários do Brasil. Um ou outro teve a coragem de dizer: ‘é o melhor projeto, estou apoiando'”, desabafou. Entre os poucos que declararam apoio estão José Olympio Pereira, ex-presidente do Credit Suisse, o gestor Luis Stuhlberger e o ex-senador Blairo Maggi.
Parte dos empresários ainda duvida da capacidade de Renan negociar sua agenda no Congresso. Outros preferem avaliar propostas de candidatos como Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), que têm experiência como governadores e conseguiram administrar as dívidas de Goiás e Minas Gerais.
A principal proposta de Renan é uma emenda constitucional que desacelera o crescimento de despesas obrigatórias. O texto prevê desindexação de benefícios previdenciários do salário mínimo, desvinculação dos pisos de saúde e educação das receitas, revisão do abono salarial e redução de renúncias fiscais. A estimativa é de economia de R$ 1,1 trilhão até 2031.
O candidato também propõe vincular a liberação de emendas parlamentares à redução de despesas obrigatórias. Hoje, as emendas alcançam R$ 60 bilhões por ano. Outra ideia é a Lei de Responsabilidade Gerencial, que condiciona repasses de emendas e fundos partidários ao desempenho de prefeitos em educação, saúde e saneamento.
Renan recebeu aplausos ao criticar a proposta que acaba com a escala 6×1, prioridade do presidente Lula, e ao defender o fim da Justiça Trabalhista. Ele também prometeu reforma fiscal logo após eventual vitória, com meta de abrir espaço de R$ 250 bilhões por ano no Orçamento para investimentos em infraestrutura.
O deputado Kim Kataguiri (Missão-SP) foi apresentado como futuro ministro da Reforma do Estado. O consultor da Câmara Paulo Bijos, que elaborou a PEC do Reequilíbrio Fiscal, também integrará a equipe econômica. Renan disse que anunciaria seu ministro da Fazenda em até 15 dias. Entre os cotados estão João Landau, da Vista Capital, e o economista Tony Volpon, ex-diretor do Banco Central.
