Brasília (AE) – A política de elevação real do poder de compra do salário mínimo precisa ser mantida nos próximos anos para que a trajetória de queda na desigualdade social brasileira continue. A opinião é do economista Antônio Prado, chefe da representação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em Brasília. Na semana passada ele publicou estudo sustentando que o salário mínimo é um instrumento eficiente de combate à pobreza e à desigualdade.

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Na avaliação de Prado, os dados da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílio (Pnad), divulgados na sexta-feira, que mostraram que em 2005 a desigualdade continuou caindo, reforçam sua tese. Os números da Pnad 2005 não haviam sido levados em conta no estudo publicado na semana passada porque o material foi concluído antes da pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Embora reconheça a dificuldade causada pelas restrições fiscais do País, Prado avalia que o combate à desigualdade deve ser prioritário na condução da política econômica e na distribuição dos recursos orçamentários. Na avaliação do economista, para os próximos anos deveriam ser feitos reajustes que combinassem pelo menos a inflação mais a variação do PIB per capita, que foi aproximadamente a regra de reajuste no período pós-estabilização.

?A prioridade é reduzir a desigualdade e o salário mínimo como instrumento para isso está funcionando. Vai se interromper esse processo agora??, argumenta, se referindo aos analistas que defendem a interrupção de alta real do salário mínimo. Sobre o problema da elevação nos gastos públicos, Prado avalia que outras despesas devem ser cortadas para manter a trajetória de elevação no salário mínimo. ?A gente gasta muito com serviço da dívida. É mais razoável reduzir o juro real para liberar recursos para financiar as políticas sociais?, disse.

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Esses aumentos no salário mínimo, segundo Prado, deveriam ocorrer até que ele alcance um patamar que consolide de forma sustentável a redução na desigualdade. ?Não sei qual é esse valor ideal do salário mínimo que consolida a desigualdade em níveis mais baixos, só sei que hoje ele ainda está abaixo. Ainda temos um caminho para avançar.?

Segundo o economista, desde a estabilização da economia brasileira a desigualdade vem caindo. Tal processo se acelerou nos últimos três anos com os aumentos mais pronunciados do piso salarial. Os dados da Pnad mostram que o Índice de Gini, que mede o grau de concentração da renda, recuou de 0,563 em 2002 para 0,544 em 2005. Prado destaca que essa aceleração também é explicada pelo fato de a inflação ter atingido valores muito baixos historicamente. O valor da cesta básica, por exemplo, caiu 2,83% desde 2003.

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O binômio salário mínimo em alta e inflação baixa repercutiu também, segundo Prado, na redução significativa no índice de indigência nos anos de 2004 e 2005. Dados da Pnad elaborados pelo consultor do Ipea, Antônio Ibarra, mostram que o total de indigentes no Brasil passou de 11,5% ao final de 2003 – ano em que este indicador havia subido – para 7,4% em 2005. O índice de pobreza, por sua vez, na mesma comparação, passou de 26,7% para 22% da população total.