A indústria automotiva registrou resultados recordes de produção e exportação de veículos em março, segundo dados divulgados ontem pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores). As montadoras produziram 218.573 veículos no período, maior volume de toda a história da indústria automotiva brasileira. O recorde anterior era de outubro de 1997, com a produção de 211 mil unidades.

O resultado de março aponta um avanço de 14,1% na produção em relação ao mesmo mês de 2004 e aumento de 17,5% na comparação com fevereiro último. No trimestre, a produção registra uma alta de 12,5% frente ao mesmo período de 2004, com 565.385 unidades.

Exportações

As exportações de veículos, máquinas agrícolas, motores e componentes atingiram o volume recorde de US$ 936,436 milhões no mês passado, apresentando um acréscimo de 30,9% sobre o mesmo período de 2004 e de 25,9% frente a fevereiro.

Segundo o presidente da Anfavea, Rogélio Gorfarb, o bom desempenho da produção é reflexo da exportação recorde de veículos. ?Não é o mercado interno que está puxando este resultado. São as exportações que continuam fortes e até superiores ao esperado?, disse. No ano, as exportações totalizam US$ 2,298 bilhões, uma alta de 36,3% em relação ao mesmo período de 2004.

Vendas internas

As montadoras venderam em março 149.424 veículos no mercado interno, um aumento de 5,5% em relação ao mesmo período do ano passado e de 30% sobre fevereiro, segundo levantamento do setor automotivo.

No acumulado do primeiro trimestre de 2005, foram vendidas 370.992 unidades, um aumento de 4,8% frente a igual período do ano passado.

Para 2005, a Anfavea estima que as vendas internas atinjam 1,64 milhão de unidades, com um aumento de 4% sobre 2004. As exportações podem alcançar a marca de US$ 8,9 bilhões, uma alta prevista de 7% sobre o resultado do ano passado.

Quanto à produção, a associação estima que as empresas associadas sejam responsáveis pela fabricação de 2,3 milhões de unidades, um crescimento esperado de 5,4% sobre 2004.

Mas montadoras de máquinas estão demitindo

A estiagem no sul do País, a quebra de safra de grãos e o dólar baixo estão empurrando para baixo as vendas de máquinas agrícolas em todo o país. No trimestre, foram vendidas 5.882 máquinas agrícolas, uma queda de 27,8% em relação ao mesmo período do ano passado.

Diante desse resultado negativo, a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) reduziu a estimativa de venda de máquinas agrícolas para o mercado interno para 30 mil unidades, que representarão uma diminuição de 20,6% na comparação com 2004. Antes, a Anfavea estimava uma queda nas vendas de máquinas agrícolas de 10%, com 34 mil unidades.

?O produtor rural está cauteloso em assumir novas dívidas diante desse cenário de quebra de safra, câmbio desfavorável às exportações e queda no preço das commodities?, disse Rogelio Golfarb, presidente da Anfavea.

Emprego

O mau desempenho das vendas de máquinas agrícolas já começa a atingir o nível de emprego no setor. Em março, o setor de máquinas agrícolas demitiu 359 trabalhadores. Com isso, o setor passou a contar com 13.377 empregados, uma queda no nível de emprego de 2,6% em relação a fevereiro.

Essas demissões foram parcialmente compensadas pelas 325 contratações feitas pelas montadoras de veículos no mês passado.