O secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, afirmou nesta segunda-feira, 29, que as receitas no mês de março não foram altas. Segundo ele, essa foi uma das principais influências no resultado do Tesouro no mês passado, avaliado como “neutro” pelo secretário. Augustin citou ainda uma despesa atípica da Previdência Social, no valor de R$ 1,1 bilhão, como um dos destaques negativos do mês passado. Segundo ele, trata-se de pagamento de valores antigos que foi feito no mês de março, após acordo na Justiça.

Ainda sobre a Previdência Social, o secretário afirmou que houve déficit de R$ 5 bilhões em março. A previdência urbana registrou superávit, enquanto a rural registrou déficit. “Continuamos com tendência boa na previdência urbana, conforme já ocorreu no ano passado”, afirmou.

As contas do Governo Central (Tesouro Nacional, INSS e Banco Central) registraram um superávit primário de apenas R$ 285,7 milhões em março. Depois do superávit recorde de janeiro (R$ 26,19 bilhões) e do pior resultado para meses de fevereiro (déficit de R$ 6,412 bilhões), o saldo de março mostra uma pequena reação, de acordo com o Tesouro.

Na expectativa de Augustin, o resultado do superávit primário de abril deverá ser “bem melhor”. Ele não quis apresentar projeções, mas explicou que sua previsão foi feita porque abril é um mês sazonalmente melhor e também porque há pagamento de Imposto de Renda de Pessoa Física.

O secretário salientou também que a queda nominal das receitas em março, conforme divulgou a Receita Federal nesta segunda-feira, não é uma tendência para o ano. Ele não quis apresentar projeções e comentou apenas que a expectativa para o ano é de “um crescimento importante” dos investimentos.

Segundo semestre

O secretário do Tesouro Nacional disse que espera uma melhora da arrecadação no segundo semestre. Isso se dará, de acordo com ele, principalmente por causa dos efeitos esperados para a economia. “Mesmo no segundo trimestre, o resultado de arrecadação deve melhorar.

O secretário comentou que os efeitos das desonerações podem impactar os resultados, mas disse esperar que a retomada da atividade econômica, após as práticas adotadas pelo governo, seja mais forte. “As desonerações foram feitas com o objetivo de melhorar a capacidade da economia e de responder depois de um momento difícil decorrente da crise. Isso está acontecendo, os dados mostram isso, mas é óbvio que havendo desonerações, há arrecadação menor”, considerou.