A Receita Federal deflagrou ontem uma operação contra um grupo que fraudava declarações do Imposto de Renda. Com o acompanhamento da Polícia Federal, a chamada operação ?Leão Ferido? realizou buscas e apreensões de documentos e computadores em Brasília e em São Paulo. A fraude envolveu R$ 2,7 milhões e beneficiou 190 pessoas físicas, a maior parte delas servidores públicos.

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Segundo Nilton Tadeu Nogueira, superintendente da Receita na 1.ª Região Fiscal (Centro-Oeste), a fraude se deu na declaração de retificação do IR. Essas pessoas, entre elas servidores do Senado, Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Ministério Público da União, eram clientes de um mesmo contador em Itumbiara (GO), identificado apenas como ?Godinho?.

O contador fazia uma retificação das declarações do IR dos últimos cinco anos, aumentando o número de dependentes e abatimentos, como gastos com saúde. Com isso, a pessoa recebia uma restituição muito maior – algumas receberam mais de R$ 50 mil.

O contador levava 5% do valor da restituição. Além disso, outras duas pessoas em Brasília (DF) faziam a ligação entre os clientes e o contador. Outro escritório em São Paulo também fazia a mesma fraude, induzindo declarantes a alterar informações para receber restituições.

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A Receita Federal descobriu a fraude porque todas as retificações caem na malha fina e passam por análise. A partir deste momento, o setor de inteligência da Receita viu que havia um padrão entre essas declarações – vieram do mesmo computador e as alterações foram as mesmas.

De acordo com Nogueira, as declarações de todos os clientes deste contador nos últimos cinco anos serão checadas.

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Os envolvidos na fraude sofrerão uma ação fiscal, que deve resultar em uma multa de 150% a 225% do valor restituído. O que eles receberam a mais também deverá ser devolvido ao fisco, acrescido de juros. Após essa fase, será aberto um inquérito policial.

A investigação foi iniciada no final do ano passado e, segundo Nogueira, a restituição foi paga mesmo a Receita sabendo que poderia ser uma fraude. ?Não era oportuno deixar de pagar?, disse.

Segundo ele, isso foi feito porque era mais importante chegar aos mentores – Godinho e as duas pessoas que faziam a ponte entre os declarantes e o contador.

Das 190 restituições fraudulentas, 52 pertencem a servidores do Senado, 19 do TJDF, 13 da Polícia Civil e 11 do Ministério Público da União.

Segundo Nogueira, esses servidores têm salários anuais entre R$ 100 mil e R$ 200 mil por ano.