Depois de passar o dia todo com um recuo moderado de cerca de 1%, o dólar estirou a baixa na reta final dos negócios, registrou a mínima do dia (R$ 3,581) e fechou ontem em queda de 1,77%, a R$ 3,595 para venda e R$ 3,585 para compra. Enquanto isso, o risco Brasil reduz a alta para 0,28%, a 1.790 pontos. O volume de negócios foi baixo e a queda ainda não compensa a forte alta de anteontem, provocada por um mal-entendido em torno da dívida da Prefeitura de São Paulo. A moeda está mais cara do que no fechamento de terça-feira, quando era vendida a R$ 3,525 após uma série de cinco baixas.

Analistas afirmaram que as vendas do fim do dia, que alimentaram a baixa, vieram principalmente de bancos que, em meio à tensão de anteontem, haviam comprado moeda apostando numa alta que logo perdeu a força. Essas instituições teriam segurado os dólares hoje durante a maior parte do dia até ter certeza de que o efeito da notícia sobre a prefeitura paulistana junto aos investidores externos tinha realmente passado.

Anteontem, a prefeita de São Paulo, Marta Suplicy – do PT do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva – optou por não realizar uma amortização extraordinária de R$ 3 bilhões da dívida municipal. A decisão estava prevista no acordo e não significa calote, mas implica no aumento dos juros sobre a dívida de 6% a 9% ao ano, com efeito retroativo.

Embora a medida tenha sido esclarecida, restaram nos investidores resquícios de dúvidas sobre a renegociação da dívida dos Estados com a União.

A queda deveria ser maior mas, segundo analistas, a demanda dos importadores e, principalmente, a dívida cambial de US$ 1,9 bilhão que vence na próxima quinta-feira têm funcionado como uma “trava”.

O Banco Central ainda não se pronunciou sobre o vencimento, e alguns investidores já recompram em moeda a proteção cambial em títulos que vence em uma semana. O BC rolou com facilidade e taxas reduzidas o último vencimento cambial, em 1.º de novembro, mas isso não significa que terá interesse em renovar o novo vencimento, já que assim poderia reduzir sua exposição cambial.

A tendência, entretanto, continua a ser de baixa. Mas o mercado dá sinais de que fixou um piso em R$ 3,50 para o dólar, o que pode provocar novo movimento pendular quando a moeda atingir esse nível, a menos que seja anunciado algum nome da equipe econômica ou alguma medida concreta do governo federal eleito.

Bolsa

A Bolsa de Valores de São Paulo fechou, ontem, em nova alta, desta vez de 0,99%. O Ibovespa fechou em 9.799 pontos com R$ 416 milhões em negócios.