Suinocultores do Paraná esperam dias melhores com o anúncio da retomada das exportações para a Rússia, responsável por 80% das vendas externas de carne suína do Brasil. O Ministério da Agricultura e o governo russo assinaram ontem documento aceitando a certificação por município para as áreas livres da doença da Aujeszky, que afeta o rebanho. Com a medida, os produtores paranaenses projetam melhora das cotações, em decorrência da diminuição da oferta no mercado interno.

“Com a Rússia voltando a comprar a carne que Santa Catarina está produzindo e jogando em São Paulo, Paraná e Minas Gerais, a tendência é o mercado se normalizar nesses três estados para o produtor conseguir vender com margem mínima de lucro”, avalia Ademir Bortolotto, vice-presidente da Associação Paranaense de Suinocultores (APS).

O vice-presidente da APS relata que os preços pago aos produtores estão em queda desde fevereiro do ano passado. “Nesse período, o produtor independente amargou prejuízo todos os meses, o integrado ganhou pouco e a indústria manteve a lucratividade na ponta do consumo”, observa Bortolotto. “Muita gente ficou endividada, a metade dos suinocultores independentes quebrou”. No Paraná, há 7,2 mil produtores de suínos associados à APS. Na última segunda-feira, a cotação por quilo de animal vivo variava de R$ 1,35 a R$ 1,40 no mercado livre da região Sudoeste. Só que o custo de produção, embora estável, varia de R$ 1,75 a R$ 1,85, dependendo da produtividade.

Santa Catarina representa 80% das exportações nacionais de suínos, seguida do Paraná, com fatia de 10 a 15% do bolo nacional. Com a Rússia voltando a comprar o produto, a Associação Brasileira de Criadores de Suínos estima crescimento de 15% nas exportações em 2003. A projeção é chegar a 550 mil toneladas -contra 475 mil toneladas em 2002.

O Paraná tem o segundo maior rebanho suíno do País, estimado em 6,3 milhões de cabeças, enquanto Santa Catarina tem 6,8 milhões. Como o volume exportado pelo Paraná ainda é pequeno, e o País é dependente das exportações, a produção estadual deve ter um decréscimo de 10% nesse ano. Já nas exportações de carne suína do Estado, Bortolotto prevê um incremento de 10 a 12% em 2003.

Recuperação

“Com a retomada das exportações, a suinocultura espera que freie a tendência de queda nas cotações, que surgiram com a limitação das exportações”, assinala o economista Gustavo Fanaya, do Sindicarne (Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados do Paraná). Na avaliação dele, os preços pagos aos produtores de suínos devem se recuperar a partir do momento que reiniciarem os abates de animais para o mercado externo.

Fanaya destaca que o preço do milho recuou com a entrada da safra, permitindo um alívio no custo de produção do suíno, “mas a atividade ainda está longe de voltar a ser atrativa para o suinocultor como era há dois anos”. “Apesar do alto custo de produção, esperamos que as exportações alavanquem a cadeia da suinocultura e dêem lucro para o produtor enquanto o País continuar dependente do mercado externo, que é crescente”, ressalta. Ele observa ainda que não há perspectivas de expansão em curto prazo do mercado interno, por causa de dois fatores: o baixo consumo de carne in natura e a queda do poder aquisitivo da população.