Curitiba vai sediar, mais uma vez, esta semana, uma feira de imóveis organizada pelos ramos imobiliário e da construção civil. O evento, anual, cresce junto com a cidade.
Porém, o momento, este ano, é de euforia, tanto de quem constrói, como de quem vende, de quem financia e de quem compra. Isso justifica a quantidade de imóveis ofertados, que aumentou consideravelmente em relação aos anos anteriores: de um recorde histórico de 22 mil imóveis ofertados, a quantidade deve passar para cerca de 30 mil, este ano.
“A expectativa é boa. O mercado está muito bom e o momento deve ser aproveitado”, diz o presidente da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Paraná (Ademi-PR), Gustavo Selig.
Ao falar em aproveitar o momento, ele não se refere apenas às empresas associadas da entidade que preside, mas a todos os integrantes da cadeia, desde o construtor até o consumidor. Até por isso, o slogan da Feira de Imóveis deste ano é “não deixe a oportunidade escapar”.
Perguntado se o bom momento para comprar imóveis está perto de passar – economistas já falam em perspectivas de juros menos favoráveis que os atuais -, Selig não confirma.
“Não acredito que essa alta seja real”, opina. Mas o dirigente da Ademi faz um alerta: “Falamos em oportunidade porque os imóveis estão valorizando muito. Também estão começando a faltar bons terrenos. Para quem quer morar bem localizado, ainda existem oportunidades que cabem no bolso”, afirma.
A valorização a que Selig se refere não se deve apenas a um comportamento de mercado e ao início de uma falta de espaços em boas localizações. “Os custos das construções também estão fazendo com que os preços finais dos imóveis acelerem”, explica, informando que, no último ano, a mão-de-obra ficou 10% mais cara. “Se considerarmos que esse fator representa 45% do custo, podemos dizer que reflete em uns 5% [no valor final]”, calcula.
Recordes
O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Paraná (Sinduscon-PR), Hamilton Franck, confirma que a Feira acontece em um momento em que “tudo é recorde” para o setor, em Curitiba.
Os números confirmam isso: o índice de velocidade de vendas, que normalmente oscila em torno de 8%, hoje está em 11,44%. Isso significa que, de cada 100 unidades colocadas à venda, mais de 11 já estão vendidas ao final do primeiro mês.
As construtoras estão, logicamente, aproveitando essa euforia. No primeiro semestre deste ano, o número de unidades liberadas para construção, no município, cresceu impressionantes 63% em relação ao mesmo período de 2009, passando para 14,4 mil imóveis.
Em área, o crescimento foi de 30%, passando para 1,65 milhões de metros quadrados liberados. Só na Feira, acontecerão mais de 40 lançamentos e pré-lançamentos de empreendimentos.
Se, por um lado, os dados mostram que, em média, as unidades estão diminuindo de tamanho, por outro, lembra Franck, comprovam que o mercado está direcionando boa parte de seus produtos a um novo tipo de público.
“São clientes que estão comprando seu primeiro imóvel. Pessoas com menos de 30 anos, solteiras ou casais com até um filho, que compram unidades de até R$ 150 mil”, afirma.
Ressaca
Para Franck, o momento extremamente favorável não assusta o setor, quando se pensa no futuro. Segundo ele, é fato que o crescimento não vai se manter no nível atual por muito tempo.
No entanto, não há medo de que o mercado tenha que enfrentar uma ressaca, em alguns anos. “Não tem como dobrar o crescimento todo ano, durante 10 anos. Os números vão ficar mais conservadores e o mercado vai encontrar seu ponto de equilíbrio”, prevê.
Mas o presidente do Sinduscon se apoia em fatores como o déficit habitacional para manter as expectativas altas por um bom tempo. “Mantidas as condições ,atuais, teremos mercado para no mínimo 10 anos, em Curitiba. Só para erradicar o déficit das famílias com renda entre zero e três salários mínimos serão precisos uns 15 anos”, observa.
Serviço: a Feira de Imóveis do Paraná acontece de quarta-feira (11) a domingo (13), no Piso Poty do Estação Convention Center (Avenida Sete de Setembro, 2775, Curitiba). Mais informações, no site www.ademipr.com.br/feira2010.php.
Encol deixou uma lembrança complicada
Curitiba foi uma das cidades que mais se ressentiu com os problemas da construtora Encol, que em 1997 entrou em concordata e deixou na mão milhares de clientes que tinham comprado imóveis na planta, no País inteiro.
O ressentimento foi uma das causas da retração que o mercado imobiliário enfrentou por muitos anos, mais até em outras cidades em que, ao contrário da capital paranaense, famílias continuam sem ter seus problemas resolvidos.
Essa, pelo menos, é uma das explicações que fontes do mercado imobiliário local dão para a explosão nos preços dos imóveis em Curitiba, nos últimos anos: o fim do trauma gerado pela Encol teria causado uma forte alta na procura, elevando os preços.
“Existe a sensação de uma explosão de preços em Curitiba. Mas nosso ponto de comparação é muito ruim”, diz o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Paraná (Sinduscon-PR), Hamilton Franck.
Segundo ele, durante o período em que os consumidores ainda estavam desconfiados por conta da Encol, muitos imóveis eram vendidos por valores muito próximos ou até abaixo do custo.
Ele garante que, de 2002 até hoje, a valorização real – descontada a inflação -dos imóveis, em geral, ficou em torno de 20%. “Hoje, Curitiba está inserida no contexto nacional, sem diferença para outros locais do Brasil”, afirma.
Ainda assim, os organizadores da Feira de Imóveis 2010 estão buscando tranquilizar ainda mais os consumidores que desejam comprar imóveis durante ou depois do evento.
Um estande montado pelo Sinduscon-PR e as associações dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-PR) e dos Escritórios de Arquitetura (Asbea-PR) irá oferecer consultoria jurídica, construtiva e arquitetônica para quem quer comprar uma casa ou apartamento.
A ideia é, também, atender quem não tem idade suficiente para ter sofrido algum trauma com a Encol, mas precisa de orientação para adquirir, por exemplo, seu primeiro imóvel.
Entre as principais dúvidas que os organizadores esperam ter que sanar durante a Feira, estão questões sobre documentos do empreendimento que precisam ser exigidos pelo comprador, condições de pagamento, como verificar a qualidade do imóvel, prazo para conclusão da obra e tempo para obtenção de escritura definitiva, entre outras. Também será mostrado como buscar informações sobre construtoras, incorporadoras e imobiliárias.
Outro objetivo do estande, segundo Franck, é valorizar as empresas locais. Ele garante que não existe nenhuma intenção em comparar as incorporadoras de nível nacional, que aportaram em massa em Curitiba há alguns anos, com a Encol. Mas ressalta que as companhias formadas aqui têm mais condições de atender o público local, por entenderem suas necessidades e exigências.
Além do espaço para oferecer consultoria, a Feira terá, pela primeira vez, uma praça financeira. Lá, instituições como Caixa Econômica Federal,
Banco do Brasil e Companhia Província, vão tirar dúvidas dos visitantes sobre financiamento imobiliário, além, é claro, para mostrar linhas de crédito disponíveis e fazer simulações de pagamento. Empresas que vendem consórcios imobiliários também estarão por lá.


