O mês de agosto começa com o Ibovespa no campo positivo, após o recuo de 1,09% do último dia de julho, quando encerrou aos 101.812,13 pontos. A Bolsa retomou hoje os 102 mil pontos, tentando já recuperar os 103 mil pontos, diante de um cenário de juro mais baixo no Brasil. Ontem, depois do fechamento da B3, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Selic em 0,50 ponto porcentual, surpreendendo parte dos economistas de mercado.

A valorização é puxada principalmente pelas ações do setor financeiro e de consumo. Mas, de forma geral, há certo otimismo, como se observa no desempenho da carteira (67) do Ibovespa, que conta apenas com 11 papéis em declínio.

Operadores ponderam que a queda da cotação das commodities pesa sobre os negócios. Apesar de o Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) ter confirmado a expectativa de corte do juro, de 0,25 ponto porcentual, ontem à tarde – ainda com a B3 aberta -, não garantiu flexibilização adicional nos próximos meses, derrubando as bolsas. “O dólar sobe por causa do Fed e, o juros futuros aqui, cedem refletindo o Copom”, cita um operador.”

Quanto ao Copom, a MCM Consultores ressalta que a despeito da atividade econômica fraca, a avaliação se alterou pois os membros do Comitê admitiram a possibilidade de retomada gradual. No entanto, pondera a consultoria, a ociosidade segue elevada e continua sendo um fator de risco para o cenário de inflação que pode ficar abaixo das metas.

Para a MCM, inicialmente, este novo ciclo de baixa pode ser de 100 pontos base, com dois ajustes de 50 pontos. Entretanto, ressalta, não se pode descartar algum estímulo adicional, o que levaria a taxa Selic a ficar entre 5,0% e 5,5% ao fim deste ano.

Conforme analistas da XP Investimentos, os juros baixos no Brasil vieram para ficar, “e vão durar mais do que se imagina”, acrescentando que a combinação desses fatores é muito “poderosa” para a Bolsa.

Hoje, o mercado corrige suas apostas para a Selic, aumentando a projeção de mais uma redução de meio ponto na Selic no Copom em setembro. No mercado futuro, a curva de juro a termo já está considerando 67% de chance de queda de 0,50 ponto na Selic no mês que vem, ante 50% de possibilidade na véspera e 33% de chance de corte de 0,25p. Para o ano, a curva aponta Selic em 5,35%, de 5,25% antes.

Além disso, instituições financeiras também estão revisando suas estimativas. O UBS Brasil, por exemplo, agora espera Selic fechando o ano em 5,25% e não mais em 5,75%. O Itaú Unibanco segue esperando juro em 5,00% em 2019, mas informou que aguarda declínio de meio ponto no Copom de setembro.

No âmbito corporativo, a despeito de ter apresentado prejuízo líquido no segundo trimestre de US$ 133 milhões, contrariando expectativas de lucro do mercado, analistas ponderam que há sinais de melhora no desempenho das finanças da Vale. No entanto, por ora, as ações cedem quase 2,00% nesta manhã.

Às 11h10, o Ibovespa subia 1,37%, aos 103.181,70 pontos.