São Paulo

– A gritaria contra os juros estratosféricos cobrados nos empréstimos para pessoas físicas e empresas aumenta a cada dia, mas o caminho para a queda dessas taxas não será dos mais fáceis, segundo analistas. Além de uma forte diminuição da margem de lucro dos bancos – que, de acordo com o BC, responde por 40% do spread -, um tombo desses juros passa, entre outras medidas, pela redução dos impostos que incidem sobre o crédito e dos compulsórios sobre contas correntes e CDBs, que encarecem o custo do dinheiro.

Para o vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel José Ribeiro de Oliveira, o principal fator para baixar o spread – a diferença entre a taxa de captação dos bancos e a cobrada dos clientes – é a diminuição dos ganhos dos bancos. Segundo ele, a redução dos impostos e dos compulsórios também tende a contribuir para uma queda das taxas, mas o mais importante seria realmente que os ganhos dos bancos fossem menores, uma vez que têm o maior peso na composição do spread. Tributos e compulsórios respondem por 29%, a inadimplência, por 17%, e as despesas administrativas, por 14%.