Quatro candidatos à Presidência da República defendem a revogação, total ou parcial, da reforma da Previdência aprovada em 2019. Hertz Dias (PSTU), Rui Costa Pimenta (PCO), Edmilson Costa (PCB) e Samara Martins (UP) propõem explicitamente reverter as mudanças nas regras de aposentadoria. Outros presidenciáveis, como Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão), defendem novas alterações para conter o avanço das despesas previdenciárias. As informações são da Gazeta do Povo.
As propostas aparecem em diferentes graus nos programas de governo e levam ao debate presidencial o futuro das regras de aposentadoria, num cenário de forte pressão sobre as contas da Previdência. As despesas com benefícios previdenciários ultrapassaram R$ 1 trilhão em 2025, segundo o Tesouro Nacional.
Hertz Dias defende um sistema previdenciário 100% público, solidário e universal, com redução da idade mínima para aposentadoria e inclusão de trabalhadores informais. Rui Costa Pimenta propõe o restabelecimento das regras anteriores à reforma, com limite máximo de contribuição de 25 anos para mulheres e 30 anos para homens. Edmilson Costa e Samara Martins também defendem a revogação das reformas previdenciária e trabalhista.
Romeu Zema apresenta uma das propostas mais abrangentes entre os candidatos que defendem mudanças nas regras. O candidato do Novo defende uma nova reforma da Previdência definitiva, com harmonização das regras entre União, estados e municípios. Uma das principais medidas é a criação de um mecanismo de reajuste automático da idade mínima de aposentadoria conforme o aumento da expectativa de vida.
Renan Santos associa a Previdência à necessidade de um ajuste fiscal. Seu programa estabelece como meta um ajuste de R$ 250 bilhões anuais. Uma das medidas propostas é a desindexação dos benefícios previdenciários e assistenciais do salário mínimo. Na prática, aposentadorias e o Benefício de Prestação Continuada (BPC) passariam a ser reajustados pelo IPCA, sem a vinculação automática aos ganhos reais do salário mínimo.
Flávio Bolsonaro não propõe a revogação da reforma de 2019. A agenda previdenciária do candidato do PL está concentrada no combate a fraudes e na melhoria da gestão do INSS. O programa defende a ampliação de mecanismos de controle sobre descontos associativos e benefícios, além do programa INSS sem Fila, com intensificação da digitalização dos serviços.
Lula critica as reformas aprovadas após 2016, mas não propõe revogação integral da reforma de 2019. O programa petista prioriza o fortalecimento do sistema público de seguridade social e a continuidade da política de valorização real do salário mínimo. Para ampliar as fontes de financiamento, propõe reestruturar a base da Previdência e criar mecanismos contributivos mais flexíveis para trabalhadores com trajetórias profissionais descontínuas.
A discussão sobre uma eventual reversão das regras ocorre em um momento de forte pressão sobre as contas previdenciárias. O déficit do Regime Geral da Previdência Social (RGPS) chegou a R$ 320,9 bilhões em 2025. Dados do IBGE apontam que a expectativa de vida subiu de 71,1 anos em 2000 para 76,6 anos em 2024 e deve superar 81 anos em 2050. A reforma de 2019 foi uma tentativa de adaptar as regras previdenciárias a esse cenário demográfico e conter a trajetória de crescimento das despesas.
