Foto: Fábio Alexandre

Categoria se mobilizou ontem em frente às montadoras.

Metalúrgicos da Volkswagen-Audi, Renault e Volvo, instaladas na Grande Curitiba, fizeram ontem protesto em frente às montadoras, interrompendo a produção durante uma hora, na entrada dos turnos. As unidades empregam, juntas, cerca de 11 mil pessoas. A categoria não descarta possibilidade de paralisação por tempo indeterminado.

De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC), já houve quatro reuniões com o Sinfavea – entidade patronal que representa as montadoras -, mas até agora as cláusulas financeiras não foram discutidas. Os metalúrgicos, que têm data-base em 1.º de setembro, reivindicam aumento salarial de 10% – aumento real mais a reposição da inflação acumulada nos últimos 12 meses, de 4,82% – e elevação do piso salarial. ?Eles só aceitaram falar sobre as cláusulas sociais. Isso é um absurdos porque as empresas estão batendo recordes de produção e vendas e não estão repassando esse avanço para os funcionários?, afirmou o presidente do SMC, Sérgio Butka.

Na próxima segunda-feira, haverá nova rodada de negociação entre as partes. Na terça-feira, acontecem assembléias nas empresas para avaliar as possíveis propostas ou discutir o caminho a ser seguido. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos, paralisações por tempo indeterminado não estão descartadas. ?Vamos continuar realizando mobilizações de protesto até que os patrões apresentem uma proposta salarial digna para os trabalhadores?, apontou Butka.

Ontem, durante as assembléias, os trabalhadores decidiram que não vão mais trabalhar em regime de horas extras, pelo menos até o surgimento de uma proposta. Hoje o SMC comanda novas assembléias com os trabalhadores do 1.º e 3.º turnos da Volks e da Renault, às 6h. A estratégia será a mesma: repetir o protesto para forçar as empresas a negociarem.

Produção afetada

Segundo o SMC, a Volkswagen deixou de produzir ontem cerca de 50 veículos. Na Renault, o prejuízo foi de 40 automóveis e, na Volvo, quatro caminhões e um ônibus deixaram de ser produzidos durante uma hora de paralisação. A Volks emprega cerca de 3,6 mil trabalhadores na fábrica, cuja média salarial é de R$ 1,6 mil. Na Renault, o número de trabalhadores é de aproximadamente 3 mil, e a média salarial R$ 1,4 mil. Também a Volvo emprega cerca de 3 mil pessoas, e a média salarial é de R$ 1,3 mil. As informações são do SMC.