Mudar o cenário produtivo de municípios localizados na região do Arenito do Caiuá, tradicionalmente reconhecidos como improdutivos para a pecuária de leite, e torná-los uma importante bacia leiteira é o maior desafio Projeto Vitória. Os resultados já obtidos pelo foram apresentados durante a realização da série dos Dias de Campos Regionais, que teve 50 participantes

Os 91 produtores assistidos, de 11 municípios integrantes do projeto, comemoram. A produção que era, em média, de 180 litros de leite por dia, com um custo de produção superior a R$ 0,30 o litro, deu um salto. Hoje, a média é de 240 litros por dia e o custo caiu para R$ 0,28.

O Projeto Vitória foi criado em 1998 pela Emater-Paraná, empresa do governo do Estado, vinculada à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, com apoio do Programa Paraná 12 Meses. Segundo o implementador deste projeto, o médico veterinário Paulo Tadatoshi Hiroki, “a conquista se dá pela participação de nove extensionistas praticando assistência técnica diferenciada, em conjunto com docentes e alunos estagiários da UEL e da UEM, fazendo análise da propriedade, estabelecendo marco zero e elaborando planos de trabalho em conjunto com os produtores de leite”.

Essa assistência técnica diferenciada torna a produção de leite um negócio de satisfação e lucratividade, com o retorno sentido a partir de um ano, lembra o engenheiro agrônomo Satoshi Osmar Nonaka, da Emater de Guaraci. O município, que tem 130 produtores de leite com 9.500 cabeças de gado misto e produtividade média de seis litros por vaca, inscreveu no projeto 12 produtores de leite, distribuídos de forma estratégica, em que suas propriedades são consideradas unidades demonstrativas de difusão de tecnologia, servindo de referência comunitária.

Estes produtores criam atualmente a média 50 animais por propriedade e alcançam a produtividade de 14 a 15 litros por animal a cada dia. Na época da implantação do projeto, a proposta era reduzir os custos em 20% e aumentar a produção em 30%, destaca o extensionista Satoshi. Ele afirma que a base do trabalho foi “a reorganização das propriedades, sustentada em quatro pilares: sanidade, reprodução, alimentação e gestão.”

Dentre os participantes do Dia de Campo em Guaraci, estava o produtor de leite Nicanor de Jesus, 61 anos, proprietário do Sítio Bom Jesus, localizado na Água de Santa Rita, que deu testemunho dos bons resultados do Projeto Vitória no município. Ele começou no ano 2000, colocando seu sítio de 60 alqueires na proposta, porque “tinha bastante abortos e pouca alimentação”.

Atualmente o rebanho é de 120 cabeças, sendo 45 em lactação, 25 secas e o restante são novilhas e bezerras, criados em 15 piquetes distribuídos em 27 alqueires. Tem ainda seis alqueires de silagem de milho, dois alqueires de grama croast cross, um alqueire de cana e liberou 24 alqueires para o cultivo de soja nesta safra de verão. Obtém com a ordenha mecânica diária a média de 750 litros de leite, coletados pelo laticínio de Santo Inácio ao preço de R$ 0,42 que cobrem seu custo total de R$ 0,39 o litro.

Lembra do início, “sacrificado”, pegando dinheiro dos programas governamentais PDPL e Panela Cheia para melhorar o rebanho atual de “vacada pura holandesa”. Nicanor de Jesus só tem elogios ao projeto, embora garanta que não entende nada quando pensa no volume do capital investido na produção de leite e no preço recebido pelo litro. “Que não paga nem a taxa de juro, se o dinheiro estivesse no banco”, afirma.