Pesquisa divulgada hoje pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) mostra um quadro de recuperação em vários indicadores de atividades, o que configura um cenário de “melhora moderada”, segundo definiu o economista da entidade, Rubens Sardenberg.

De acordo com os dados, a projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2009 finalmente retomou o terreno positivo, após vários meses de projeções negativas. A previsão dos economistas ouvidos pela Febraban é de uma variação de 0,02% em 2009, ante uma queda de 0,1% na pesquisa realizada em julho.

Para 2010 a projeção também melhorou, passando de 3,7% para 3,98%. “Essa variação incorpora apenas um pedaço do desempenho positivo do PIB no segundo trimestre, mas vai na direção de um cenário mais positivo”, afirma Sardenberg.

Na semana passada, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o PIB brasileiro, no segundo trimestre, avançou 1,9% em relação ao trimestre anterior.

O economista destaca que a previsão para o crescimento do PIB de serviços sustenta essa expectativa mais positiva para a economia em 2009, com previsão de crescimento de 2,1% em 2009 e 3,3% em 2010. Já o PIB industrial segue com projeção de queda de 3,9% este ano, mas com recuperação de 5,2% em 2010.

Outro destaque na pesquisa foi a melhora na projeção para o crescimento do crédito. Para 2009, a estimativa de avanço da carteira total de operações de crédito é de 16,9%, ante os 16,3% da pesquisa anterior. Para 2010, a previsão oscilou de 17,9% na pesquisa de julho para 18% na edição atual.

O crescimento do crédito deve ser sustentado pela evolução das operações com recursos direcionados, que mostra a influência das ações do governo para estimular os financiamentos, cuja projeção de crescimento passou de 17,8% na pesquisa de julho para 20,5% este ano. Para 2010, a previsão subiu de 16,6% para 17,8%.

A estimativa para a carteira de crédito pessoa física com recursos livres, para 2009, subiu de 16,2% para 16,8% e, para o ano que vem, de 17,4% para 18,4%. Já as operações para pessoa jurídica devem crescer 15,8% em 2009, ante os 15,5% da pesquisa anterior. A estimativa para 2010 recuou de 19,1% em julho para 18,2% na pesquisa atual.

Segundo o economista, o crescimento mais lento para a indústria é explicado pelo avanço das operações no mercado de capitais, que acabam substituindo as operações de financiamento bancário.

Além disso, as empresas já reduziram suas necessidades de caixa e muitas ainda não retomaram os investimentos. “O volume de crédito poderia ter crescimento maior, mas a demanda de alguns segmentos ainda está limitada”, afirma.

Um indicativo que confirma um cenário de recuperação moderada da economia está na projeção de inadimplência (atrasos superiores a 90 dias). Para este ano, as estimativas recuaram de 5,8% em julho para 5,3% neste mês. Para 2010, a projeção passou de 4,9% para 4,8%.