Uma pesquisa da Escola de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas mostrou que 83,5% dos produtores da fronteira agrícola, no Centro-Oeste e Norte do Brasil, identificam-se como de direita ou centro. Apenas 16,5% se declaram de esquerda. O estudo foi publicado em junho e ouviu mil pessoas em 70 municípios entre outubro e novembro de 2025. As informações são da Gazeta do Povo.

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A maioria dos participantes acredita que o governo interfere demais na vida das pessoas (55,9%) e que a regulação governamental dos negócios faz mais mal do que bem (64,3%). Essa visão antiestatista, segundo os autores, influencia como os produtores enxergam as relações internacionais do Brasil.

O estudo “Como a fronteira agrícola vê as relações internacionais” apontou que, embora a China seja o principal destino da soja e da carne bovina produzida nas regiões, os entrevistados consideram a relação com os Estados Unidos mais segura. Enquanto 21,8% dos entrevistados descrevem os EUA como “muito confiáveis”, apenas 12,6% dizem o mesmo da China.

A confiança no país asiático recuou quase 20 pontos porcentuais desde 2017, mesmo com o crescimento da parceria comercial com o Brasil. Segundo o relatório, a cultura política antiestatista ajuda a explicar tanto a vantagem de credibilidade dos EUA quanto o ceticismo em relação ao modelo de Estado chinês.

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Os estados da fronteira agrícola respondem por aproximadamente 15% do eleitorado nacional. À medida que o peso eleitoral da região cresce, as preferências dos produtores impõem restrições reais às posições que Brasília pode adotar na política externa, alerta o estudo.

“Uma política externa que presume que a fronteira agrícola seguirá seus interesses comerciais em direção ao alinhamento político com qualquer parceiro individual interpreta equivocadamente a realidade da região”, afirma Matias Spektor, diretor da FGV RI e um dos autores da pesquisa.

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