Produtores rurais argentinos farão boicote

Buenos Aires (AE) – A comercialização de grãos e animais da Argentina vai parar durante nove dias. Essa foi a decisão tomada anteontem à noite por duas das principais entidades ruralistas do país, Confederações Rurais Argentinas (CRA) e Federação Agrária, as quais reúnem os pequenos e médios produtores. A Sociedade Rural Argentina, representante dos grandes pecuaristas locais, vai decidir hoje se adere ao boicote.

O boicote começará no próximo domingo e será o mais longo protesto do setor agropecuário contra a política do governo de Néstor Kirchner que prejudica os produtores rurais. Segundo a CRA, os fazendeiros não enviarão grãos nem animais para os mercados. Só os produtos perecíveis serão negociados. As entidades criticam a constante intervenção do governo nos mercados, em nome do controle da inflação.

A gota d?água foram as listas de preços máximos para frutas, verduras e hortaliças no mercado central, onde os produtos são vendidos no atacado. Além de preços máximos também para o gado em pé, vendido no mercado de Liniers (outro centro formador de preços). Sem contar com as ameaças de re- edição das barreiras contra as exportações de carne bovina.

À noite, a ministra de Economia, Felisa Miceli, tentou aplacar os ânimos com medidas que não chegaram a entusiasmar os produtores: prorrogou o atual esquema de exportações de carne, em vez de limitar os volumes permitidos; baixou o peso mínimo do abate para 240 quilos, e prolongou um acordo com os frigoríficos para congelar os preços de 12 cortes populares. Para Kirchner e Miceli, o setor agropecuário ?tem uma alta rentabilidade porque o governo se encarregou de manter o dólar alto e competitivo, e um óleo diesel barato?.

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