O trabalho de organização dos produtores em condomínios está facilitando o uso da tecnologia de inseminação artificial na pecuária de leite em Toledo. Atualmente, existem 24 grupos formados, reunindo 388 criadores. No último ano, cerca de 5,2 mil animais foram inseminados. No período de cinco anos, o projeto, que é resultado de uma ação conjunta da Secretaria da Agricultura, Emater, Prefeitura, Cooperativa Cooperlac com o apoio do Sindicato Rural, Sindicato dos Trabalhadores Rurais e Senar, já garantiu a incorporação de 7,5 mil fêmeas geneticamente melhoradas ao rebanho do município.

Segundo o extensionista Gelson Hein, da Emater de Toledo, agindo de forma coletiva os agricultores estão conseguindo também adquirir insumos e equipamentos a preços mais compensadores e promover a capacitação profissional das pessoas que trabalham com a bovinocultura de leite nas propriedades.

Todos os produtores de Toledo podem participar dos condomínios e se beneficiar do Programa Municipal de Melhoramento da Pecuária Leiteira. As organizações têm administração própria e recebem assessoria técnica da extensão rural. A Prefeitura colocou, desde 2001, um técnico para trabalhar em tempo integral no projeto. Além disso, vem subsidiando a compra de parte do sêmen utilizado. Neste ano, o município deve totalizar a entrega gratuita de 3 mil doses. A Cooperlac (Cooperativa dos Produtores de Suínos e Leite do Oeste do Paraná), por sua vez, ajudou a impulsionar o programa colocando à disposição um veículo de transporte.

Economia e eficiência

“Quando precisa fazer a inseminação, o produtor chama a pessoa encarregada deste serviço. A proximidade garante atendimento rápido e melhor eficiência no uso da tecnologia”, conta Hein. O produtor paga o serviço do inseminador, a despesa de deslocamento, parte do custo do sêmen e o material usado. “Mesmo assim, quando se compara o custo deste serviço com o preço da inseminação no mercado, o criador consegue uma economia de aproximadamente 50 por cento”, explica o técnico da Emater.

Para baixar custos, alguns produtores têm feito a aquisição do sêmen em grupo, ou pegam o produto das empresas, em consignação. Neste último caso, o sêmen só é pago quando utilizado.

Além de permitir a melhoria genética do rebanho, o trabalho dos condomínios tem promovido o debate técnico envolvendo as diversas áreas da atividade pecuária. “Todos os anos, os inseminadores participam de um encontro para atualização em reprodução e melhoramento genético, e os produtores que integram os condomínios também participam de um seminário anual”, conta Hein.

O processo de organização está avançando. Em julho de 2004 foi fundada a Associação dos Produtores dos Condomínios de Inseminação Artificial de Toledo. Através dela já foi possível, por exemplo, adquirir um trator e um conjunto de fenação. “O próximo passo, agora, é buscar o registro dos animais na Associação dos Criadores de Gado (Holandês e Jersey). Cerca de 600 animais poderiam receber o registro”, informa Gelson Hein.