O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Pratini de Moraes, se reuniu ontem com representantes de suinocultores, supermercados e frigoríficos, em Brasília, em busca de soluções para aumentar o consumo de carne suína no mercado interno. Atualmente, essa taxa é de 12 quilos por habitante/ano, índice considerado muito baixo pelo ministro. Apesar do incremento nas exportações brasileiras de carne de porco em 2002, Pratini destacou que “o grande mercado para a suinocultura é o consumidor interno e o setor tem que ampliar sua oferta”.
Só que o segmento suinícola está mergulhado em crise, devido ao excesso de oferta (motivado pelas projeções otimistas no início do ano, que não se confirmaram) e à elevação dos custos de produção (por causa da falta de milho). Nessa conjuntura, ficou difícil reduzir o preço para o consumidor final, ocasionando redução da demanda. Segundo estimativas do setor, o excedente de carne suína no Brasil gira ao redor de 100 mil toneladas. Nos dois últimos meses, houve uma redução de 8,5% no número de matrizes alojadas, que não foi suficiente para normalizar os problemas setoriais. Nos últimos doze meses, os abates de suínos no Paraná cresceram 23%.
“Não existe uma solução só. Para aumentar o consumo, tem que haver preço para o consumidor, produto disponível e propaganda”, resumiu o presidente da Associação Paranaense de Suinocultores (APS), Romeu Royer, que participou da audiência em Brasília. No Paraná, o produtor integrado recebe R$ 1,18 (com bonificação) por quilo de carne suína. O independente ganha de R$ 0,90 (no Sudoeste) a R$ 1,00. “Como custo de produção é R$ 1,42, muitos produtores já pararam”, informa Royer. Há 21 mil produtores no Estado, que tem hoje o segundo maior plantel suíno do Brasil, com 6,4 milhões de cabeças – 900 mil a mais que o Rio Grande do Sul. O maior rebanho é o catarinense.
Financiamento
Na reunião de ontem, que contou com a presença de representantes da Abras (Associação Brasileira de Supermercados), Abipecs (Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína) e Abs (Associação Brasileira de Suinocultores), o secretário da Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Célio Porto, apresentou uma proposta de crédito aos produtores, em resposta a pedido encaminhado na semana passada. “Foi acertado um financiamento para socorrer o produtor em forma de investimento. Serviria para compra de insumos e giro de capital de sua propriedade. Até agora, só existia a linha de custeio”, relata Royer.
Os produtores pleiteavam R$ 200 por matriz alojada. Na nota apresentada ontem, o governo não fixou valor por matriz, mas limitou o empréstimo em R$ 60 mil por produtor, com juros de 8,75% ao ano (tanto para investimento quanto para custeio) e dois anos para pagamento. A liberação do recurso ainda depende de votação do Conselho Monetário Nacional, na próxima quarta-feira. “Foi um avanço muito bom no final de mandato, já que não há como criar uma linha nova de financiamento e precisamos de uma ação urgente”, avaliou o presidente da APS.
Outra alternativa discutida na reunião foi a redução, pelo menos por quatro meses, do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) da carne suína, assunto que dependerá da intervenção dos governadores e do Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária).
Promoções em supermercados
Olavo Pesch
Outra frente para combater os prejuízos da suinocultura é a realização de campanhas promocionais de venda de carne suína nos supermercados. No Paraná, a formatação da campanha será decidida na próxima segunda-feira (16), em reunião da Câmara Setorial da Suinocultura, com participação de representantes dos produtores, frigoríficos e supermercadistas. A promoção estadual deve durar entre 10 a 15 dias. “Todos os supermercados mostraram interesse em participar. A maior dificuldade é termos os cortes do produto disponível para o consumidor, porque as indústrias querem agregar valor”,
comenta o presidente da APS, Romeu Royer.
“A suinocultura brasileira tem uma especificidade: 75% da produção é na forma de embutidos (lingüiças, salsichas e salames) e um quarto apenas é de cortes (carnes in natura). Dificilmente haverá mudanças no mix das indústrias”, argumenta o presidente do Sindicarne (Sindicato da Indústria de Carne e Derivados do Paraná), Péricles Salazar. “O que se pretende com a campanha publicitária é aumentar o consumo de carne in natura e não dos produtos com marca”, reforça.
Apesar de a campanha não ter começado oficialmente, já é possível encontrar carne suína in natura a preços mais acessíveis no varejo curitibano. Num estabelecimento da capital, o quilo do pernil caiu quase 50% – de R$ 5 para R$ 2,54.


