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No Paraná, menos de 43% da produção
foi comercializada até agora.

Os produtores de soja estão em compasso de espera: aguardam que a alta do preço do produto no mercado internacional comece a refletir no mercado doméstico. De quebra, ainda torcem para que o câmbio volte a subir. No Paraná, segundo relatório divulgado esta semana pelo Departamento de Economia Rural (Deral), apenas 42,5% da produção foram comercializados até agora. No ano passado, no mesmo período, cerca de 64% já haviam sido vendidos. ?A expectativa é que os preços possam ter pequenas melhoras. Só que com o dólar em baixa, os produtores acabam ganhando menos?, apontou Dirlei Antonio Manfio, do setor de Previsão de Safras do Deral. ?Quem já esperou até agora para vender, pode esperar um pouco mais.?  

O superintendente comercial da Cocamar Cooperativa Agroindustrial, Celso Carlos dos Santos Junior, admitiu que o fato de os produtores estarem ?segurando? os estoques de soja já está prejudicando a cooperativa, especialmente na produção própria. Entre outros produtos, a Cocamar produz óleo de soja. ?Já chegamos a ter que comprar soja de fora ou ter que segurar as vendas. Não está em ritmo normal?, afirmou o superintendente.

De acordo com Celso Carlos, a soja na Bolsa de Chicago subiu nos últimos 30 dias de menos de US$ 6 por bushel para US$ 7,20 a US$ 7,30. No mercado interno, porém, a saca subiu de R$ 26,00 para R$ 30,00 em um mês. ?O que não está permitindo o reflexo no mercado interno é essencialmente o câmbio e a própria falta de liquidez do produto?, apontou. ?O produtor está aguardando um melhor momento de preços. O mercado está praticamente paralisado?, disse.

Há um ano, a soja era negociada a US$ 8,84 por bushel. Começou a cair, até chegar a US$ 5 entre o final de janeiro e o começo de fevereiro. Há um mês, custava menos de US$ 6, até chegar a US$ 7,20 esta semana. No mercado doméstico, em junho do ano passado, a saca da soja era comercializada a R$ 40,00 em média. Esse ano, a maior cotação na Cocamar foi atingida no dia 17 de março, a R$ 36,50. ?Desde então, começou a cair até chegar a R$ 26,00. Há cerca de um mês é que começou a recuperação?, apontou Celso Carlos.

Para ele, o ideal é que o produtor fique atento às oscilações do mercado e aproveite os momentos positivos para registrar alguma venda. De acordo com o superintendente da Cocamar, é arriscado confiar na alta do preço da soja no segundo semestre, como ocorre historicamente. ?No ano passado, por exemplo, o aumento não se confirmou?, disse. Outra questão é a grande oferta do produto – mesmo que o preço se eleve no próximo semestre, ele poderá cair se os produtores tentarem comercializar tudo de uma vez só.

Milho

Outra cultura que vem registrando baixa comercialização é o milho. Até agora, 44,6% da produção paranaense de milho foram vendidos. Em junho do ano passado, a proporção era de 53%. ?Há uma enorme expectativa de evolução de preço do milho?, apontou Celso Carlos, da Cocamar. ?Quem está balizando o mercado interno é a importação.? A saca do milho, comercializada agora a R$ 15,80, custava R$ 16,50, em média, em junho do ano passado.

Quebra de safra provoca alta no preço do feijão

Enquanto os produtores de soja reclamam da quebra da safra e do baixo preço no mercado doméstico – isso sem falar na desvalorização do dólar -, os produtores de feijão não têm muito do que reclamar. O preço da saca do feijão carioca subiu quase 50% – passou de R$ 51,47 em junho do ano passado para R$ 75,00 este mês. Também o preço do feijão preto subiu, de R$ 64,00 (junho/04) para R$ 70,00 (junho/05).

?Não considero os preços ruins. Pelo contrário?, apontou o engenheiro agrônomo do Departamento de Economia Rural (Deral), Gilberto Martins Bello. Segundo ele, a alta se deve especialmente à quebra de safra, decorrente da estiagem, com a redução da safra em 28,8% na comparação com o ano passado. Cerca de 80% da segunda safra do feijão (feijão da seca) já foi colhida até agora. Desse total, 50,3% foi comercializada. ?É uma proporção considerada normal?, considerou Bello. Já a colheita do feijão de inverno ainda está no início – apenas 2,2% foi colhido até então, segundo divulgação do Deral feita esta semana. (LS)