A produção industrial do Paraná registrou, em fevereiro, a terceira maior alta entre as doze regiões pesquisadas pelo IBGE: de 9,1% frente ao mesmo mês do ano passado. O resultado ficou abaixo apenas das taxas do Espírito Santo (25,0%) e Ceará (13,5%), superando a variação do Rio de Janeiro (6,5%) e a média nacional (4,1%). No mês de fevereiro, sete áreas apresentaram aumento na produção industrial.

Também houve crescimento nas indústrias de São Paulo (3,9%), região Sul (3,9%) e Rio Grande Sul (3,7%), porém em percentuais inferiores à média nacional. O IBGE constatou redução na atividade fabril na Bahia (-7,2%), região Nordeste (-2,9%), Pernambuco (-1,8%), Santa Catarina (-1,3%) e Minas Gerais (-0,6%).

Conforme a análise técnica do IBGE, a elevação da produção foi influenciada pelo maior número de dias úteis (20) em fevereiro deste ano, comparado ao mesmo mês de 2002 (18), por causa do deslocamento do feriado de Carnaval para março, mas principalmente pela boa performance da extração de petróleo no Espírito Santo e no Rio de Janeiro, aliada ao desempenho favorável das exportações e da agroindústria.

O resultado mensal expressivo do Paraná foi puxado por crescimento em 16 dos 19 setores pesquisados. As maiores contribuições vieram das indústrias química (10,4%) e mecânica (21,6%), estimuladas pela agricultura. O destaque negativo foi produtos de matérias plásticas (-9,8%).

Acumulados

No primeiro bimestre, o indicador acumulado foi positivo em oito das doze áreas pesquisadas. O maior crescimento foi verificado na indústria do Espírito Santo (20,6%), seguida por Paraná (8,7%), Rio de Janeiro (5,2%), Pernambuco (4,0%), região Sul (3,7%) e Ceará (3,4%). Com desempenho inferior à média de 3,4% do total do País, aparecem as indústrias paulista (3,1%) e gaúcha (2,6%). Houve recuo na Bahia (-3,8%), Minas Gerais (-0,8%), região Nordeste (-0,3%) e Santa Catarina (-0,3%).

O incremento de 8,7% na indústria do Paraná decorreu de aumentos em 14 ramos. O maior impacto positivo veio das indústrias de material elétrico e de comunicações (60,6%), química (6,9%), material de transporte (32,3%) e mecânica (13,5%). O setor têxtil foi responsável pela principal influência negativa (-12,3%).

Já na variação dos últimos doze meses, dez dos doze locais pesquisados expandiram o ritmo de produção industrial. No Paraná, o acumulado passou de 2,4%, em janeiro, para 3,0%, enquanto a média brasileira ficou em 3,1%.

 Superávit comercial é recorde

As exportações paranaenses no mês de março deste ano chegaram a US$ 530 milhões, valor 59% maior do que o do mesmo período em 2002. Já as importações ficaram em US$ 268 milhões, o que gerou um superávit comercial de US$ 261 milhões, o segundo maior do País. O saldo foi 295% superior aos US$ 66 milhões obtidos em março de 2002 e, pelo terceiro mês consecutivo, atingiu um recorde histórico.

Segundo dados da Secretaria da Indústria, Comércio e Assuntos do Mercosul, com os resultados de março, o saldo da balança comercial acumulado no primeiro trimestre do ano já chegou a US$ 619 milhões, ou 16% do superávit brasileiro. Para isso, as vendas externas paranaenses no período atingiram US$ 1,3 bilhão enquanto as importações a US$ 731 milhões. O superávit dos primeiros três meses do ano no Paraná também foi o segundo melhor entre todos os estados.

“A boa conjugação de mercadorias industrializadas com bens primários na relação dos produtos mais exportados do Paraná foi um dos fatores decisivos para esse resultado e é um sinal de que estamos no caminho certo”, analisa o secretário Luíz Guilherme Mussi. “O nosso saldo comercial na balança brasileira, tanto em março como no trimestre, só foi inferior ao de Minas Gerais”, informa ainda o secretário.

Apesar de São Paulo ser o maior exportador brasileiro, não houve contribuição dos paulistas no saldo da balança comercial brasileira em março e nem no trimestre. É que nos dois casos, as importações superaram as vendas externas. As exportações de São Paulo no trimestre chegaram a US$ 4,7 bilhões e as importações a US$ 4,8 bilhões. Já no mês de março o déficit paulista ficou em US$ 36 milhões.

Entre os grupos de produtos mais exportados pelo Paraná no primeiro trimestre estão automóveis, tratores e acessórios, que garantiram uma receita de US$ 212 milhões, o que representou um aumento de 44% em relação ao mesmo período do ano anterior. Na seqüência, aparecem resíduos alimentares, especialmente farelo de soja, que geraram vendas de US$ 171 milhões, representando uma elevação de 124% em comparação ao primeiros três meses do ano passado.

Na seqüência, aparecem resíduos alimentares, especialmente farelo de soja, que geraram vendas de US$ 171 milhões, representando uma elevação de 124% em comparação ao primeiros três meses do ano passado.

O retorno da Argentina

A volta da Argentina como um dos principais parceiros do Brasil, segundo o governo do Estado, reforça as negociações do Paraná com o Mercosul. “O aumento nas exportações paranaenses para a Argentina no primeiro trimestre dá continuidade ao que já havia ocorrido no mês passado, a retomada das atividades comerciais com o país vizinho”, analisa o coordenador de Assuntos do Mercosul da Secretaria de Estado da Indústria, Comércio, Santiago Martin Gallo.

“Esse crescimento progressivo também sinaliza para a recuperação econômica da Argentina”, acrescenta Gallo.

A Secretaria da Indústria e Comércio está organizando uma missão empresarial para Córdoba, na Argentina, juntamente com entidades empresariais parceiras no Paraná.