A Produção Industrial Mensal de agosto, prevista para a próxima sexta-feira, deve ser a divulgação de indicador econômico que merecerá a maior atenção na próxima semana. A atividade fabril foi a primeira a assimilar o golpe desferido pela crise econômica mundial por meio da redução das operações bancárias de crédito e está sendo também o setor que está respondendo de forma atrasada aos sinais de recuperação da economia.

Mas em julho, o IBGE anunciou que a produção fabril deu um salto significativo ao crescer 2,20% na comparação com junho, já descontados os efeitos sazonais. Na leitura original, comparada com julho do ano passado, a atividade industrial caiu 9,90%, mas já mostrando alguma melhora na comparação com a queda de 10,90% de junho sobre o mesmo mês de 2008.

O declínio ainda acentuado da produção em julho comparativamente ao mesmo mês do ano passado justifica-se pela base de comparação que, naquele mês de 2008, ainda refletia uma evolução forte da atividade econômica como um todo. Tanto que, para agosto deste ano, os analistas já trabalham com uma taxa de crescimento menor na margem, mas com a volta para o terreno positivo da atividade industrial interanual, que recai sobre uma base já prejudicada pelo anúncio, em junho de 2008, do banco nova-iorquino Bear Stearns do colapso de dois de seus fundos especulativos em função dos subprimes. Em agosto do ano passado, a economia já se mostrava desorganizada. As bolsas caíam diante dos riscos de contágio da crise e os bancos centrais do mundo, entre eles o Fed (Banco Central americano) e o BCE (Banco Central da Europa) começaram a intervir para conceder liquidez aos mercados.

Diante de todas essas influências na economia, a indústria, antes de qualquer outro setor, especialmente as empresas do segmento automotivo, começou a acusar os impactos negativos da crise. Muito do crescimento da produção industrial em julho e do esperado pra agosto vem da necessidade de recomposição dos estoques, reduzidos pela ausência de produção por vários meses a partir do reconhecimento geral, em setembro do ano passado, de que o mundo estava mesmo diante da sua maior crise desde a década de 30, e porque as vendas se ampliaram graças aos estímulos fiscais dados à indústria pelo governo brasileiro a partir do final do ano passado.

Outro ponto que tem merecido destaque por parte dos especialistas no tocante à atividade fabril é o fato de o crescimento daqui para frente poder se mostrar consistente, sem a muleta dos incentivos fiscais, ainda que as taxas, nominalmente, venham em patamares mais baixos.

Ainda que em menor intensidade, merece atenção especial também na agenda de indicadores a serem divulgados na próxima semana os resultados fiscais do Governo Central, previstos para terça-feira, e os dados do setor público consolidado, na quarta-feira. Essa é uma das poucas áreas que, apesar de não causarem pânico nos cenários econômicos, ainda mostram a dependência de alguns ajustes, conforme anotou no começo da semana a agência de classificação de riscos Moody’s Investor Service, ao elevar os ratings da economia brasileira nesta semana de Ba1 para Baa3, primeiro nível grau de investimento, chamando a atenção para o fato de o País ter que enfrentar alguns desafios nesta área.

A parte fiscal na economia brasileira tem voltado à baila porque, para sair mais rapidamente da crise, o governo brasileiro abriu os cofres e gastou mais, ou investindo, ou promovendo renúncia fiscal, em alguns casos específicos. Além disso, o Brasil caminha para uma eleição majoritária que pode estimular os governadores à gastança, o que preocupa muito os agentes econômicos, sobretudo os investidores locais e estrangeiros.

Para o economista-chefe do Itaú Unibanco, Ilan Goldfajn, por exemplo, o País não deverá cumprir a meta do superávit primário neste ano. A meta é de 2,5% do PIB e, de acordo com a projeção do Itaú Unibanco, a economia do governo será de 2% do PIB, sem a utilização de recursos do Fundo Soberano Brasileiro (FSB). Para o ano que vem, de acordo com Goldfajn, o governo conseguirá cumprir a meta, fazendo a economia de 2% do PIB e recorrendo ao 0,5% do FSB.

Em agosto, o Governo Central (Banco Central, Tesouro Nacional e INSS) conseguiu reunir uma economia de R$ 1,439 bilhão. O valor foi muito melhor que o déficit de R$ 643,800 milhões apurados em julho, mas expressivamente melhor que os R$ 6,275 bilhões economizados em agosto de 2008, que já vinha de uma economia de R$ 7,065 bilhões em julho daquele mesmo ano. No que se refere ao resultado fiscal do setor público consolidado, que além do governo central contempla ainda as contas de Estados, municípios e estatais federais, em agosto a economia foi de R$ 3,180 bilhões. Esse valor foi ligeiramente menor que os R$ 3,376 bilhões apurados em julho e bem mais baixo que os R$ 10,184 bilhões apurados em agosto do ano passado.

Inflação

Ainda na terça-feira, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) anunciará a inflação medida pelo Índice Geral de Preços ao Mercado (IGP-M) ao longo de setembro. Depois de passar quase todo o ano com deflação – a única alta mensal em 2009 foi a de 0,26% apurada em fevereiro -, o IGP-M já deve voltar para o terreno positivo, já que, nas duas prévias deste mês, registrou altas de 0,28% e 0,41%. Essa volta dos preços para o terreno das altas em setembro, para os especialistas, está em linha com a retomada pela economia da trajetória do crescimento em curso. A expectativa é a de que o IGP-M encerre o ano em torno de zero.

Para a quinta-feira estão reservadas na agenda as divulgações de dois indicadores. A FVG informará em quanto ficou a taxa de inflação no âmbito do Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) fechado de setembro. Em agosto, o indicador registrou uma inflação de 0,20%. Nas três quadrissemanas deste mês o indicador da FGV registrou taxas de 0,56%; 0,51% e 0,33%. Os preços dos alimentos passaram por um período de altas em função das chuvas atípicas do inverno, mas começam a apresentar desaceleração na segunda metade do mês, o que tem sido importante para o indicador geral ser levado para o mesmo caminho. Desta maneira, o mercado não descarta uma taxa mais branda para o IPC-S na semana que vem.

No mesmo dia, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria a Comércio Exterior (MDIC) divulgará o saldo da balança comercial de setembro. Em agosto, a balança conseguiu reunir um saldo expressivo de US$ 3,074 bilhões, muito citado pelos analistas nas previsões do mercado mais otimistas para a conta corrente do mês passado.

No dia seguinte, será a vez da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) anunciar a inflação para a capital paulista em setembro. No mês anterior, os preços ao consumidor subiram 0,48%, vindo de 0,13% em julho. Já neste mês, o indicador apurou reajustes de 0,47%, na primeira quadrissemana; 0,42%, na segunda parcial e 0,28% na terceira medição do mês.

Por causa da desaceleração da inflação na terceira quadrissemana, o coordenador do índice, Antônio Evaldo Comune, revisou pra baixo, de 0,30% para 0,23% a sua previsão de inflação para o fechamento de setembro. Ele disse que tomou essa decisão depois de ter sido pego de surpresa pela queda dos preços no âmbito do grupo Alimentação, de uma alta de 0,33% para uma queda de 0,09% de uma medição para a outra.