| Foto: Arquivo/O Estado |
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| Montadoras atingem marcas recordes em junho. |
O desempenho da indústria automotiva brasileira foi forte em julho, compensando o desempenho de junho que frustrou o setor, por causa do período de copa do mundo, afirmou ontem o presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Rogelio Golfarb. Em julho, a indústria bateu recorde histórico de produção para o mês. ?Foram fabricados 222,4 mil unidades no País, marca nunca alcançada antes no mês?, destacou.
?O resultado dos licenciamentos também foi o melhor para o mês nos últimos dez anos e só não foi recorde porque tivemos meses melhores em 1997?, disse Golfarb.
A produção acumulada entre janeiro e julho deste ano, de 1,52 milhão de unidades, também é a maior já apurada pela Anfavea. Para 2006, a entidade manteve a projeção de crescimento do mercado de veículos no País em 7,1%, com expansão da produção em 4,5% e de avanço do faturamento das exportações em 2,7%.
Exportações
Embora apresente alta do faturamento com exportações, a indústria automotiva brasileira não observa o mesmo comportamento quando analisada a comercialização externa de veículos e máquinas agrícolas em volumes de unidades, conforme revelou a Anfavea.
?As empresas estão ajustando seus preços no exterior, por causa da valorização do câmbio, e os compradores estão diminuindo os pedidos. Não veríamos a queda de volume, se os compradores estivessem dispostos a pagar mais pelo mesmo produto?, observou.
Na relação de julho de 2006 sobre o mesmo mês do ano passado, enquanto as exportações somadas de veículos e máquinas agrícolas cresceram 11,6% em faturamento, saltando de US$ 947,71 milhões para US$ 1,05 bilhão, o volume de veículos (leves, caminhões e ônibus) exportados cedeu 5,1%, recuando de 80,28 mil unidades em julho de 2005 para 76,21 mil em julho deste ano.
Já as vendas externas de máquinas agrícolas recuaram 35,3%, em unidades, na comparação de julho deste ano sobre o mesmo mês do ano passado. Se em julho de 2006 as exportações de máquinas agrícolas estiveram em 1,76 mil unidades, em julho de 2005, estavam em 2,72 mil unidades.
Em relação a junho de 2006, as exportações por unidade de veículos subiram 6,9%, uma vez que, naquele mês, 71,27 mil unidades foram exportadas, enquanto que em julho, o volume atingiu 76,21 mil unidades. Em máquinas agrícolas, em julho ante junho de 2006, houve perda de 15,7% no volume de unidades exportadas, recuando de 2,08 mil unidades, em junho, para 1,76 mil em julho.
Por conta dessa queda de ritmo de exportações em unidades, o presidente da Anfavea admite que a projeção de crescimento de 4,5% da produção de automóveis em 2006 poderá ser revista. ?Entre janeiro e julho deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado, a produção de veículos cresceu 4,4%, resultado abaixo da meta, por conta da queda de exportação em unidades. Poderemos rever a projeção de produção para o ano por causa dessa queda de exportações unitárias?, explicou.
Importação de pneu usado deixa Brasil vulnerável
Brasília (AE) – Depois de obter vitórias expressivas nos casos do açúcar e do algodão, o Brasil corre o risco de perder na Organização Mundial do Comércio (OMC) o primeiro contencioso na área ambiental da história do organismo. A União Européia recorreu à OMC para obrigar o Brasil a importar pneus usados. O governo brasileiro resiste, temendo que o País se transforme numa ?lixeira? para os países ricos. No entanto, corre o risco de ficar sem argumento contra os europeus, o que ocorrerá se o Congresso aprovar uma lei que está pronta para ir à votação abrindo o mercado brasileiro à importação de pneus usados.
?Se o Congresso aprovar o projeto de lei, perdemos o caso na OMC?, admite o conselheiro Flávio Marega, chefe da Coordenação de Contenciosos do Itamaraty. Segundo ele, o resultado do painel (disputa) na OMC está previsto para sair somente no dia 8 de novembro. Antes disso, porém, o projeto de lei poderá entrar na pauta de votação do plenário da Câmara.
O projeto já foi aprovado em junho passado numa comissão especial, na véspera da defesa do Brasil na OMC, em Genebra, feita pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. O Brasil centrou sua defesa em argumentos ambientais e de saúde pública. Apesar da proibição legal, cerca de 10,5 milhões de pneus foram importados no ano passado, apoiados por uma liminar da Justiça.
?O resultado na OMC criará uma jurisprudência importante, porque existe um movimento organizado dos países desenvolvidos para forçar os países em desenvolvimento a aceitar a entrada de bens usados?, diz o secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente, Cláudio Roberto Langone. ?É uma forma disfarçada de exportação de resíduos.
Segundo ele, a pressão será ainda maior porque uma nova norma da União Européia, que proíbe os países da região de colocar pneus velhos em aterros sanitários, entrou em vigor no mês passado. ?A Europa descarta 80 milhões de pneus em aterros sanitários, que a partir de agora terão que ser colocados em outro lugar?, explicou. Para ele, a tendência é de que os europeus ?paguem? para os países pobres receberem seus pneus. ?É muito mais barato do que usar qualquer outra tecnologia alternativa que dê destinação aos pneus.?
O governo e parlamentares contrários ao projeto trabalham para evitar sua votação no plenário. A estratégia é deixar que o assunto seja discutido na próxima legislatura. ?Um projeto com tantos interesses envolvidos não pode ser votado às vésperas das eleições?, diz o deputado Luciano Zica (PT-SP). ?Deixa sempre a suspeita de que uma votação atropelada possa estar sendo movida por interesses de financiamento de campanha.? Proposta similar, do senador Flávio Arns (PT-PR), também tramita no Senado Federal.



