A produção industrial brasileira registrou queda de 2% em setembro na comparação com agosto, segundo dados divulgados ontem pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O resultado interrompe o movimento de recuperação verificado em agosto, quando a produção havia apurado alta de 0,9%.
O comportamento da produção industrial sofreu oscilações no terceiro trimestre: caiu 2,1% em julho, subiu 0,9% em agosto e voltou a cair em setembro. Na média, entretanto, a produção do trimestre foi 0,7% menor do que a do período abril-junho e representa o pior trimestre da indústria este ano.
No terceiro trimestre, a produção industrial foi influenciada pelas altas taxas de juros – a Selic chegou a 19,75% ao ano. Além disso, a crise política enfrentada pelo governo Lula afetou a confiança de consumidores e empresários.
Na avaliação do IBGE, a queda da produção industrial em setembro está relacionada a um ajuste de estoque mais intenso e aos efeitos da taxa de câmbio sobre setores específicos. A pesquisa da CNI (Confederação Nacional da Indústria) mostrou ontem que a indústria registrou em setembro o terceiro mês seguido de vendas em queda.
?As vendas também estão mostrando arrefecimento, o que sugere ajuste de estoque mais intenso, principalmente em eletrodomésticos, que sofrem também com a competição de produtos eletrônicos importados?, afirmou a gerente da pesquisa, Isabella Nunes.
Fatores como a competitividade dos importados, consumidores mais endividados e um crescimento menor no ritmo de expansão do crédito justificam, na avaliação do IBGE, a queda da produção em setembro. O foco de arrefecimento de bens de consumo está centrado no mercado interno. Produtos que têm uma parcela mais significativa voltada para as exportações, como automóveis e celulares foram menos afetados.
Em relação a setembro do ano passado, a indústria registrou crescimento de 0,2%, o menor resultado desde setembro de 2003. No acumulado do ano, a expansão é de 3,8%.
Três das quatro categorias de uso apresentaram queda entre agosto e setembro. Os bens de consumo duráveis (veículos e eletrodomésticos) tiveram queda de 8,9% em setembro e acumulam baixa de 17% no terceiro trimestre. Essa categoria depende muito do crédito para alavancar as vendas.
Já os bens de consumo semiduráveis (roupas e calçados) e não-duráveis (alimentos) caíram 3,4% em setembro e os bens intermediários (insumos industriais) recuaram 0,4%. A única categoria a apresentar avanço, os bens de capital (máquinas e equipamentos) registraram uma produção 1,1% maior.
O comportamento da indústria em setembro também reflete a redução da produção em 15 das 23 atividades pesquisadas com ajuste sazonal. As quedas mais significativas foram verificadas no setor de fumo (-37,7%), máquinas e equipamentos (-6%) e refino de petróleo e produção de álcool (-3,8%). As principais influências positivas vieram de outros produtos químicos (1,9%), metalurgia básica (1,4%) e celulose e papel (1,8%).
No ano, o crescimento da indústria de 3,8% tem sido sustentado pela expansão de atividades como veículos automotores (8,8%), material eletrônico e equipamentos de comunicações (20,6%). Os destaques de produtos nestas indústrias são automóveis e caminhão-trator, telefones celulares e televisores.


