Produção agrícola será de 300 milhões/t em 2020

A produção agrícola brasileira deve crescer 170% nos próximos 15 anos e atingir o patamar de 300 milhões de toneladas em 2020. Já a área cultivada deve passar dos atuais 47 milhões de hectares para 107 milhões no mesmo período. É esta a expectativa do presidente da Cocamar, Luiz Lourenço, apresentada durante o 15.º Congresso Nacional de Executivos de Finanças (Conef), em Curitiba. O evento, encerrado ontem, tinha como tema “2020 uma realidade possível”. “É uma perspectiva conservadora e plenamente possível, que faz com que o Brasil seja um player estratégico muito importante”, apontou Lourenço, referindo-se às projeções relacionadas à agricultura.

Otimista, o presidente da Cocamar afirmou que o Brasil tem capacidade de tornar o agronegócio ainda mais competitivo. O País já é o primeiro em exportações de açúcar, café, carne bovina, soja em grão, suco de laranja e tabaco. “Uma tonelada de açúcar no Brasil custa menos de US$ 200, enquanto em outros países chega a US$ 270 ou US$ 300. O Brasil é, disparado, o melhor competidor”, afirmou. Também o álcool vem se destacando no mercado externo, lembrou, com a perspectiva de que o ano encerre com 2 bilhões de litros de álcool exportados. “Em dezembro ou janeiro, o consumidor deve sentir na bomba o aumento da demanda”, disse, referindo-se ao aumento do preço do álcool anidro e hidratado, que já vem sendo sinalizado.

O Brasil ocupa a segunda posição nas exportações do farelo de soja, frango e óleo de soja e a quarta nas exportações de algodão, carne suína e milho. “O Brasil tem que resolver a questão sanitária em relação à carne de frango, bovina e especialmente a suína”, alertou.

Para Lourenço, o País tem condições de crescer muito mais se conseguir superar os obstáculos. O principal deles, acredita, é o ?gargalo? da infra-estrutura, que põe em risco o esperado crescimento da economia. “Há outros problemas como a restrição no crédito, restrições ambientais, carga fiscal, mas a questão da infra-estrutura de portos e rodovias é a mais urgente e preocupante”, afirmou.

Transgênicos

A votação da Lei de Biossegurança, prevista para a semana que vem, é um dos fatores que devem favorecer a agricultura do País, acredita Loureço. “A minha posição é pela liberação do plantio de transgênicos, para que os produtores possam escolher o que querem plantar”, afirmou. Lourenço contou que recebeu recentemente uma comitiva da França, onde, segundo ele, não há restrições quanto à soja geneticamente modificada. “Quase 75% do mercado de soja e milho da França é transgênico, só o resto segregado”, afirmou. Segundo ele, apenas alguns mercados pagam a mais pela soja convencional e nem sempre é vantajoso. “O que se paga é muito pouco, 2% ou 3% a mais, se comparado à rastreabilidade necessária”, apontou.

Lourenço chamou ainda atenção para o papel importante exercido pelas cooperativas, especialmente para os pequenos produtores. No Paraná são 64 cooperativas agropecuárias, com cerca de 87 mil cooperados. Apenas a Cocamar, em Maringá, faturou R$ 1 bilhão em 2003.

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