O cenário pessimista desenhado no início do ano passado para o mercado de trabalho das principais regiões metropolitanas do País não se realizou. Na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), a taxa de desemprego começou o ano em 12,5%, atingiu 15% em abril e terminou dezembro em 11,9%, nível praticamente igual ao do final de 2008: 11,8%. “O resultado é extraordinário. Manter o mesmo padrão de emprego em um período de forte crescimento como 2008 em um ano em que se previa catástrofe não foi algo trivial”, avaliou Alexandre Loloian, coordenador de análise da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), da Secretaria de Planejamento do Estado de São Paulo.

O técnico explica que em 2009 o número de trabalhadores ocupados na RMSP caiu 7 mil, para 9,057 milhões de pessoas, em média, enquanto a população economicamente ativa (PEA) cresceu pouco, apenas 40 mil, para 10,507 milhões de pessoas. Dessa forma, 47 mil pessoas ficaram sem trabalho. “Esse número de desempregados é estatisticamente irrelevante. A PEA se manteve baixa porque uma parte dos desempregados não foi ao mercado procurar emprego”, disse. Por outro lado, ressalta, o fato de pessoas desempregadas não terem saído à procura de um posto de trabalho em tempos de crise pode ser explicado pelo fato de a taxa de emprego ter subido muito em 2008. “Havia um estoque menor de desempregados”, diz.

Para Loloian, o fato de a taxa de desemprego ter caído do pico de 15% para menos de 12% mostra o sucesso das medidas anticíclicas adotadas pelo governo federal. “As medidas deram certo. E foi a sustentação do emprego e da massa salarial que fez com que o mercado interno se recuperasse”, destacou. O efeito das medidas foi mais intenso no último trimestre do ano, quando a taxa de ocupação na RMSP só cresceu: 0,1% em outubro, 0,3% em novembro e 0,9% em dezembro.

No conjunto das seis regiões metropolitanas – São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Distrito Federal, Recife e Salvador, o comportamento do desemprego foi similar. A taxa média de 2009 ficou em 14,2%, de 14,1% em 2008.

Informais

Os dados da pesquisa do Seade, que é feita em conjunto com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), mostraram que a crise afetou mais fortemente os trabalhadores informais (sem carteira assinada). Nessa categoria, o nível de ocupação caiu 12%, na média, em 2009 ante 2008, na Região Metropolitana de São Paulo. Isso ocorreu porque a crise foi mais dura para as pequenas e médias empresas, que empregam mais esse tipo de trabalhador. O emprego sem carteira começou a se recuperar em outubro. Dado considerado surpreendente, o nível ocupação dos trabalhadores com carteira assinada cresceu 3% em 2009, na média. O nível dos autônomos caiu 0,1%. “O peso do ajuste no emprego ficou todo para os trabalhadores sem carteira”, comentou Alexandre Loloian.

Embora o emprego industrial tenha começado a se recuperar no último trimestre do ano, o setor terminou 2009 como o mais prejudicado pela crise. A taxa de trabalhadores ocupados na indústria da RMSP caiu 5,9% no ano passado, ante 2008. No Comércio, houve queda de 3,1%. No setor de Serviços, a taxa cresceu 1,8%. O agregado “Outros Setores” teve o melhor resultado, com aumento de 5,3% no nível de ocupação. Segundo Loloian, esse setor foi puxado pelo aumento do emprego na construção civil em 2009 (10%) e emprego doméstico (5%).

No conjunto das seis regiões metropolitanas, a indústria registrou queda de 6,2% no nível de ocupação, com destaque para Belo Horizonte (-10,5%), São Paulo (-5,9%) e Porto Alegre (-5,7%). O setor de comércio teve queda menor, de 1,3%. Serviços teve aumento de 2,3%. O destaque ficou por conta da construção civil, cujo nível de ocupação cresceu 12,1% no conjunto das seis regiões, lideradas por Recife (25%), seguida de Distrito Federal (15,7%), Salvador (15,3%) e São Paulo (12,6%). Belo Horizonte (6,3%) e Porto Alegre (5,3%) tiveram desempenhos menores.